No mês de março, o governo brasileiro divulgou no Diário Oficial a lista das sanções a serviços e propriedade intelectual que poderão ser aplicadas aos EUA no próximo mês. Estamos no meio de uma disputa comercial com a maior potência do planeta.

O atrito começou porque os americanos oferecem subsídios aos seus produtores de algodão, prejudicando o setor no Brasil. Como retaliação, o governo deve aplicar mais taxas aos produtos americanos importados.

Agora, a briga pode atingir outros setores, principalmente se os EUA revidarem. Não seria exagero imaginar que, em algumas salas de reuniões brasileiras, os diretores devem estar se perguntando: “Quem é o nosso especialista em comércio internacional?”.

– Bem, nas grandes companhias, onde há um setor dedicado a essas relações comerciais, a eclosão desse atrito não deve ter sido surpresa. Porque uma das missões do profissional é, justamente, prever isso. Com certeza, esse especialista já vinha acompanhando a evolução desse tema – afirma o professor Roberto Gonçalves, coordenador do curso de Comércio Internacional da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Mas ver o problema chegando não basta. É preciso traçar estratégias para contornar a dificuldade. Conhecimentos de economia e de políticas cambiais são importantes.

– É uma área de atuação nova no Brasil, ganhou impulso nos anos 90 com a abertura econômica. Empresas pequenas, sem condições de ter o especialista, podem contratá-lo para uma consultoria ou por meio de associações empresariais – diz André Luiz Reis da Silva, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Mesmo sem estar formada, Fernanda Acordi Costa (foto ao lado) mostra que está preparada. Aos 19 anos, ela está no quinto semestre de Comércio Internacional da UCS. Morou quatro anos na Inglaterra, domina o inglês e gosta de falar de economia, sobretudo de câmbio.

– As aulas relacionadas à política cambial me atraem. O dólar americano, por exemplo, se afirmou nas relações comerciais mundiais. Aqui, por ser mais forte que a moeda dos vizinhos, o Real já é adotado nas transações regionais. É como se fosse uma espécie de dólar da América do Sul – avalia a universitária.

Comércio Internacional
O que faz: formado para atuar nas relações comerciais e sociais entre organizações mundiais. Trabalha com a internacionalização das empresas, trâmites de importação e exportação, características culturais, formas de aproximação e negociação internacional.
Mercado: previsto em departamentos de comércio exterior em organizações, junto a governos, favorecendo ações globais, nas áreas de negociação turística, finanças internacionais, empreendimentos no Exterior, embaixadas, no suporte para expatriação de mão de obra.
O curso: dura quatro anos
Onde estudar
Privadas: Faccat, UCS
Relações Internacionais
O que faz: atua como consultor, pesquisador, conselheiro, assessor ou executor de acordos entre nações ou empresas. O profissional se situa no campo do direito, da economia e das ciências políticas.
Mercado: a política externa e o comércio internacional são áreas em expansão no Brasil. O mercado está em empresas comerciais com negócios no Exterior, órgãos do governo e ONGs com atuação internacional. A graduação é uma das indicadas para seguir a carreira na diplomacia.
O curso: dura quatro anos
Onde estudar
Privadas: América Latina, ESPM, FAA, Unilasalle, Unijuí, Unisc, Univates
Públicas: UFPel, UFRGS, UFSM, Unipampa
Administração
O que faz: o administrador é preparado para a tomada de decisões. Assume funções de planejamento, coordenação, controle e comando em organizações públicas e privadas. Com a ênfase em Comércio Exterior, o profissional acrescenta a essas competências a capacidade de inserção no mercado internacional.
Mercado: pode atuar como profissional liberal, em escritórios, assessorias e auditorias, além de assumir a direção e cargos em todo tipo de empresas como, hospitais, bancos, indústrias e hotéis. Estão em alta as áreas de gestão do ambiente, responsabilidade social e fiscal, empreendedorismo, comércio exterior, economia digital, gestão hospitalar, de pessoas e de instituições do terceiro setor.
O curso: dura quatro anos. Pode oferecer linhas de formação como Comércio Exterior, Administração Pública, entre outras.
Onde estudar
Privadas: América Latina, Anglicana, Anhanguera, Cesf, Cesuca, Decision, Dom Alberto, Dom Bosco, Esade, ESGP, ESPM, FAA, Fabe, Faccat, Facebg, Facenp, Facensa, Facos, FAE, FAI, Faisa, FAM, Fames, Fapa, Fapas, Fargs, Fátima, Fato, Feevale, Fema, Fisma, Fisul, FSG, Fundasul, IBGEN, Ideau, Iesa, IENH, Imed, IPA, Portal, PUCRS, Rio Claro, São Judas, São Marcos, Senac, Setrem, UCPel, UCS, Ulbra, Unicruz, Unifra, Unifin, Unilasalle, UniRitter, Unisc, Unisinos, Unijuí, Univates, UPF, Urcamp, URI
Públicas: Furg, Uergs, UFRGS*, UFPel, UFSM, Unipampa
* Ingresso também em Administração Pública e Social
Curso Superior Tecnológico
Comércio Exterior
O que faz: atua em toda atividade empresarial que envolva o comércio exterior, das operações diárias de importação e exportação à promoção e venda internacional.
Mercado: empresas que atendem ou pretendem atender ao mercado internacional precisam de um departamento de vendas, um plano de negócios e profissionais preparados para o setor. O Estado tem importante inserção no mercado internacional e necessidade crescente de profissionais.
O curso: dura de dois a dois anos e meio
Onde estudar
Privadas: Faa, Feevale, Ftec, Ulbra, UPF