Como poucas vezes na história, um julgamento parou o Brasil na semana passada e fez todos aprenderem um pouco mais sobre um dos momentos mais admirados do Direito, o Tribunal do Juri. Dessa vez, as atenções eram para o caso da menina Isabella Nardoni, jogada do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo, em 2008.

Debates por vezes acirrados entre a acusação e a defesa, pessoas comuns no corpo de jurados decidindo o futuro de quem está no banco dos réus, um juiz responsável por lavrar a sentença. Esses ingredientes fizeram desse um dos momentos mais retratados no cinema e na literatura. É difícil encontrar um vestibulando ou estudante de Direito que, em um primeiro momento, não sonhe em ser juiz, promotor ou advogado no tribunal. Mas quem já tem experiência alerta que há muitos mitos que ainda persistem.

– Não existe aquela prova definitiva que vai chegar na última hora e encerrar o julgamento. Aquelas surpresas que inocentam ou condenam os réus ocorrem nos filmes. Testemunhas e documentos devem ser protocolados até três dias úteis antes do julgamento – afirma Lúcia Helena de Lima Callegari, promotora do Tribunal do Juri de Porto Alegre.

Ela lembra também que não são todos os crimes que vão para o Tribunal do Juri, somente os dolosos contra a vida: homicídio, aborto, infanticídio (quando a mãe mata a criança) e induzir alguém ao suicídio.

O debate entre promotores e advogados costuma ser o ponto máximo. Nessa hora, um bom orador costuma fazer a diferença para convencer os jurados. Por isso, o profissional deve se conhecer bem para escolher o caminho certo.

– A boa expressão oral é imprescindível para o Tribunal do Juri, mas não para o Direito. Conheço profissionais que não falam bem, mas a excelente escrita garantiu a eles uma grande carreira – conta Lúcio de Constantino, advogado criminalista e professor universitário.

Acostumado a lidar com alunos de Direito, ele aconselha um “refinamento dos sentidos” para aqueles que desejam seguir a carreira. Significa perceber as aptidões e gostos pessoais e tentar enquadrá-los nas áreas do Direito. Ele adianta que gostar de sociologia e antropologia e estudar essas áreas é fundamental para fazer um bom juri.

O que faz
- Atua na advocacia, na carreira jurídica ou no ensino. Como advogado, pode trabalhar como profissional liberal, representando clientes em ações judiciais ou em empresas. Na carreira jurídica, atua na advocacia pública (representando os interesses do Estado e defendendo cidadãos que não podem assumir despesas judiciais), em delegacias de polícia (elaborando inquéritos), na magistratura (julgando os processos) e no Ministério Público (defendendo os interesses da sociedade perante o juiz nos tribunais).
Mercado
- Concursos públicos são frequentes para quem pretende ingressar na carreira jurídica. Para o advogado, o direito internacional, a questão ambiental e a informática (propriedade intelectual e crimes na internet) são áreas novas.
O curso
- Dura cinco anos e forma o bacharel em Direito. Para iniciar a carreira, é preciso se submeter à prova nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ou a concursos públicos.
Remuneração
- Categoria segue tabela de honorários da OAB e salários estabelecidos de acordo com a função pública exercida.