ORIGEM:

A partir de descobertas bastante recentes, chegamos ao que parece ser o primeiro portador identificado: o macaco cinza da África.70% desses macacos estariam infectados por um vírus semelhante ao que afeta o homem.

Supõe-se que o vírus tenha passado para o homem nos últimos 20 a 40 anos. Como? Ignora-se, e se está sempre no domínio das hipóteses. Um fato continua praticamente garantido: foi desse macaco que o vírus partiu para se expandir entre as populações humanas, primeiro africanas e em seguida não africanas.

A DISSEMINAÇÃO:

Os primeiros registros de casos foram feitos em 1981, nos Estados Unidos, e referiam-se a casos acontecidos em 1979. Foi em 81 que o Centro de Controle de Doenças dos EUA concluiu ser a AIDS uma doença nova.

A identificação permitiu detectar casos anteriores também nos EUA, datados de 78. No Brasil, os primeiros casos foram diagnosticados em 82 e revelados em 83. Segundo alguns especialistas, antes de ser conhecida nos EUA a AIDS já existiria em regiões equatoriais da África, de forma endêmica (constante e permanente).

Análises do plasma sangüíneo estocado revelaram a presença do vírus para os EUA e Europa teria ocorrido através de emigrantes africanos, nos, na décadas de 60 e 70. Em 1985 um vírus semelhante ao da AIDS foi identificado no macaco verde, que vive na África.

OS SUJEITOS DA TRANSMISSÃO:

A dimensão dessa disseminação levanta o problema da transmissão. Através de que caminhos a AIDS circularia de um a outro, sem que nenhum dos dois tenha conseqüência disso, a maior parte do tempo?

A princípio tendia-se a ligar transmissão desse mal apenas ao homossexualismo. Teria sido pelo contato sexual como o praticam os homossexuais que o vírus teria sido veiculado de uns para outros. Mas uma observação mais ampla e mais aguda rompeu essa exclusividade e revelou que, se a prática homossexual é, infelizmente, privilegiada na contaminação do tipo AIDS, não é o único veículo através do qual esta possa propagar-se.

Chegou-se, assim, a estabelecer categorias diversas de transmissores.

OS "GRUPOS DE ALTO RISCO":

Estabeleceu-se, primeiro, a partir de uma observação muito atenta que certas categorias de indivíduos constituíam, grupos de alto risco.

O tipo de relação que se pratica sexo anal facilita muito a incubação do vírus. Com efeito, recorre-se freqüentemente à relação anal que se insere num contexto fisiológico que oferece perigos múltiplos. 

Tanto o ânus quanto o pênis tornam-se extremamente vulneráveis, sofrendo feridas imperceptíveis que fazem com que sangue e esperma se misturem, um e outro constituem o meio de crescimento por excelência do vírus.

A homossexualidade não é, portanto, o reduto da AIDS. Sabe-se hoje em dia que se propaga igualmente e cada vez mais através do contato heterossexual. Os grupos de alto risco continuam sendo os que reúnem os homossexuais e os toxicômanos. No entanto, partindo desses grupos a propagação da AIDS difundi-se cada vez mais.

Os fatores de transmissão multiplicam-se com o número de sujeitos atingidos, de modo que se mesmo as relações heterossexuais, que são o que existe de mais normal e natural, tornam-se, por sua vez, um perigo. Menor, sem dúvida, mas mesmo assim um perigo , e sério.

Essas relações também exigem condições que possam garantir a prevenção. Veremos mais tarde quais são.

A MATERNIDADE:

Com o aumento da proporção de heterossexuais que podem se portadores do vírus, vê-se que, fatalmente, o número de mães atingidas também se eleva de modo que não deixa de ser alarmante.

Na França, por exemplo, calcula-se que mais de 10.000 mulheres em idade de procriar estão infectadas e que têm uma chance em duas de dar à luz um bebê infectado. Por outro lado é preciso observar que a maioria das mães infectadas só o ficaram depois de se tornarem dependentes da toxicomania. Já está solidamente estabelecido que quase todos os bebês, que nasceram de mães que se drogavam por via endovenosa ou cujo parceiro sexual se drogava do mesmo modo, foram infectados pelo vírus da AIDS.

Sabe-se, por outro lado, que, com expansão da droga, é preciso prever mais bebês desse tipo, o que é trágico.

O CÓDIGO PIRATA

Os vírus são os seres vivos mais rudimentares. O HIV, por exemplo, é constituído apenas por uma cápsula externa a qual funciona como um envelope que abriga a estrutura central, o core, onde está o código genético.

 Enquanto o código genético de um célula dos animais superiores armazena milhões de genes, o do HIV é formado por pouco mais de uma dezena. São esses poucos genes que vão codificar as proteínas de que o vírus necessita para confeccionar o envelope e a parte central, o core.

Pode ser uma estrutura tão primitiva, o HIV não é capaz de se multiplicar por conta própria, como fazem os demais seres vivos. Para replicar novas unidades, ele precisa penetrar o interior de uma célula de um ser superior – o homem por exemplo – e, em seguida, introduzir seu pequeno conjunto de genes no interior do DNA, que contém o complexo código genético da célula humana.

Quando essa célula, assim parasitada se divide vai obrigatoriamente Ter de decifrar seu código genético para fabricar as proteínas de que as células-filhas necessitam.

Esses novos vírus abandonam rapidamente o glóbulo branco. Ao fazê-lo, abrem microscópicos orifícios na membrana celular, que provocam a morte da célula.

Cada tipo de vírus possui a finalidade por determinado tipo de célula dos animais superiores. O HIV, por um desses caprichos da natureza, tem tropismo por um tipo de glóbulo branco do homem e do chimpanzé, que é considerado o general de divisão do exército de defesa imunológica dessas espécies: o linfócito CD4.

Quando esse tipo de glóbulo do sangue se divide para organizar a defesa do organismo contra agentes agressores, o código:

"pirata" do vírus é decifrado sem querer, e milhares de novas partículas virais são produzidas, espalham-se pelo sangue e vão-se concentrar nas secreções do corpo – das quais importantes – e no sistema nervoso central, pois o HIV possui especial afinidade pelas células nervosas.

 Ao entrar no linfócito, o HIV se livra da cápsula e, às custas de uma enzima a transcriptase reserva, transforma seu material genético, o RNA, em DNA.