Ernesto Geisel nasceu em Bento Gonçalves (RS) no dia 3 de agosto de 1907, apesar de nos seus assentamentos militares constar o ano de 1908, alteração necessária para que atingisse a idade limite máxima para admissão no Colégio Militar. A verdadeira data de nascimento só foi esclarecida por ocasião das comemorações de seus 80 anos em 1987.

Filho de Augusto Guilherme Geisel e Lídia Beckmann Geisel, seu pai, de nacionalidade alemã, veio da Baviera para o Brasil em 1890 e fixou residência em Novo Paraíso, no município de Estrela (RS), onde trabalhou em fundição, lecionou na escola da igreja luterana e desempenhou as funções de juiz de paz. Seu irmão Orlando Geisel seguiu a carreira militar, alcançando o generalato e sendo ministro do Exército entre 1969 e 1974, durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici.

Ernesto Geisel fez seus primeiros estudos na Escola General Bento Gonçalves da Silva, em sua cidade natal, e ingressou em 1921 no Colégio Militar de Porto Alegre, cujo curso concluiu em 1924 como primeiro aluno da turma. Matriculou-se no ano seguinte na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de artilharia em 1928, novamente como primeiro aluno.

Designado para servir no 1 Regimento de Artilharia Montada, na Vila Militar, passou à condição de segundo-tenente em agosto de 1928 e, no ano seguinte, foi transferido para o 4 Grupo de Artilharia a Cavalo, sediado em Santo Ângelo (RS).

Promovido a primeiro-tenente em agosto de 1930, comandou dois meses depois uma bateria do Destacamento Miguel Costa, que se deslocou do Rio Grande do Sul para São Paulo na vanguarda das forças revolucionárias gaúchas hostis ao governo de Washington Luís.

 

Depois da vitória da Revolução de 1930 e da instalação do Governo Provisório chefiado por Getúlio Vargas, esteve lotado por pouco tempo no 1 Grupo de Artilharia de Montanha, sediado no Rio. Em seguida organizou e comandou a transferência de uma bateria dessa unidade para João Pessoa, na Paraíba.

Entre março e junho de 1931, ficou à disposição do interventor federal no Rio Grande do Norte, primeiro-tenente Aluísio de Andrade Moura, sendo nomeado secretário-geral do governo estadual e chefe do Departamento de Segurança Pública. De volta à tropa, comandou sua bateria na repressão ao levante do 21 Batalhão de Caçadores, deflagrado em Recife no mês de outubro de 1931 com o objetivo de depor o interventor federal em Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti.

Os oficiais sublevados chegaram a conquistar o quartel-general do Derby, o quartel da Soledade, a cidade de Olinda e os bairros de Afogados e Boa Vista, mas foram derrotados com a ajuda de tropas enviadas de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Com a deflagração da Revolução Constitucionalista de São Paulo em julho de 1932, a unidade em que Geisel servia foi deslocada para o vale do Paraíba, no estado do Rio de Janeiro, onde se integrou ao destacamento comandado pelo general Manuel Daltro Filho. Com a derrota dos rebeldes em outubro seguinte, os contingentes foram enviados de volta a seus estados de origem.

Geisel ocupou a Secretaria da Fazenda e Obras Públicas da Paraíba de janeiro a maio de 1934 e de agosto seguinte a janeiro de 1935, durante a interventoria de Gratuliano Brito. Em fevereiro, foi transferido para o Grupo Escola de Artilharia, no Rio de Janeiro, sendo promovido em setembro a capitão.

Nessa patente, participou da repressão ao levante da Escola de Aviação Militar, no Campo dos Afonsos, deflagrado em 27 de novembro de 1935 como parte da revolta comunista que, na capital federal, envolveu também o 3 Regimento de Infantaria (3 RI) e foi sufocada depois de algumas horas de combate.

Geisel obteve o primeiro lugar entre os militares da arma que cursaram a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) em 1938 e, no ano seguinte, foi designado instrutor de artilharia na Escola Militar do Realengo. Exerceu essa função até 1941, quando ingressou na Escola de Estado-Maior do Exército, cujo curso concluiu em 1943. Em maio desse ano, foi promovido a major.

Em 1945, foi designado para servir na Seção de Operações do Estado-Maior da 3 Região Militar (3 RM) sediada em Porto Alegre.

Depois de um rápido estágio no Army Command and General Staff College, em Fort Leavenworth, Estados Unidos - onde muitos oficiais brasileiros se especializaram durante a Segunda Guerra Mundial -, passou a ocupar a chefia do gabinete do general Álcio Souto, comandante da Diretoria de Motomecanização, no Rio de Janeiro.

Com a transferência desse oficial para o comando do Núcleo de Divisão Blindada, foi nomeado chefe do estado-maior dessa unidade, cujos contingentes tiveram participação destacada na deposição de Getúlio Vargas em 29 de outubro de 1945.

Entre maio de 1946 e abril de 1947, durante o governo do general Eurico Dutra, chefiou a secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional, sendo nomeado em seguida adido militar junto à embaixada brasileira no Uruguai.

Promovido a tenente-coronel em junho de 1948, regressou ao Brasil em fevereiro de 1950 para exercer a função de adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Em dezembro de 1952, foi designado membro permanente da Escola Superior de Guerra (ESG), sendo promovido a coronel em abril do ano seguinte.

Comandou em 1954 o 8 Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, no Rio, sendo nomeado em fevereiro de 1955 subchefe do Gabinete Militar do presidente João Café Filho em substituição ao coronel Rodrigo Otávio Jordão Ramos, que passara a ocupar o Ministério da Viação e Obras Públicas. Atuou então sob a chefia direta de Juarez Távora, titular do gabinete, até assumir em maio seguinte o comando do Regimento Escola de Artilharia.

Colocado à disposição da Petrobras em setembro, foi nomeado em seguida superintendente-geral da Refinaria Presidente Bernardes, situada em Cubatão (SP), onde permaneceu até a posse do presidente Juscelino Kubitschek em 31 de janeiro de 1956.

Em março desse ano, Geisel assumiu o comando do 2 Grupo de Canhões Antiaéreos, em Quitaúna (SP), sendo transferido em abril de 1957 para a chefia da Seção de Informações do Estado-Maior do Exército (EME).

A partir de junho seguinte, acumulou essa função com a de representante do Ministério da Guerra no Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Nesse órgão, foi relator do processo que dispôs sobre a instalação de uma fábrica de borracha sintética no país, emitindo parecer desfavorável às propostas apresentadas por empresas privadas e defendendo a montagem da fábrica pela própria Petrobras, o que levou à criação da Fabor, instalada junto à Refinaria Duque de Caixas, no estado do Rio.

Geisel pediu exoneração do CNP em 1958, mas retornou a esse órgão no ano seguinte e nele permaneceu até 1961, sendo promovido nesse período, em março de 1960, a general-de-brigada. Em fevereiro de 1961, no início do governo Jânio Quadros, tornou-se oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, marechal Odílio Denis, sendo nomeado em abril seguinte para chefiar o Comando Militar de Brasília e a 11 RM.

A renúncia do presidente Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 provocou uma grave crise política no país, pois os ministros militares vetaram a posse do vice-presidente João Goulart, que se encontrava na China em missão oficial e era considerado elemento de confiança do movimento sindical e de correntes de esquerda.

Durante a crise, o poder de fato foi exercido pelos chefes militares, mas o presidente da Câmara dos Deputados, Pascoal Ranieri Mazzilli, assumiu a presidência da República e nomeou Geisel para a chefia do seu Gabinete Militar.

Este se pronunciou a favor de uma solução negociada e desempenhou destacado papel nos entendimentos que levaram à adoção do parlamentarismo como forma de contornar as resistências dos chefes militares à posse de Goulart, finalmente ocorrida em 7 de setembro de 1961. No dia seguinte, foi exonerado dos comandos que exercia na capital federal.

Em janeiro de 1962, foi designado para chefiar a Artilharia Divisionária da 5 Divisão de Infantaria, sediada em Curitiba, onde exerceu também, em caráter interino, o comando da 5 RM. Em novembro de 1963 tornou-se segundo subchefe do Departamento de Provisão Geral do Exército.