Combinando teorias de Albert Einstein e StephenHawking, equipe de cientistas sugere que os buracos negros sedesintegram antes de mesmo de nascer.

Se um novo conjunto de cálculos envolvendo a Teoria Geral daRelatividade de Einstein estiver correto, buracos negros não podemexistir: eles simplesmente não teriam tempo suficiente para se formarneste Universo.

O trabalho, realizado por uma equipe liderada pelo físicoLawrence Krauss, da Case Western Reserve University (EUA), sugere que amatéria caindo em direção ao horizonte de eventos - o limite teóricoque separaria o buraco negro do restante do espaço - viaja tão rápidoque o tempo, para ela, literalmente pára: nenhum corpo jamaisconseguiria cruzar o horizonte, nem mesmo a matéria que deveria comporo buraco negro em primeiro lugar. O trabalho será publicado na revistaPhysical Review D.

Esse fenômeno, no qual o tempo passa mais devagar para corposque se movem em altas velocidades, é previsto pela Relatividade Geral ejá foi observada em vários contextos.

Combinando o efeito da relatividade com a chamada radiação deHawking - prevista em teoria pelo físico Stephen Hawking, essa radiaçãopode provocar a lenta evaporação de um buraco negro - a equipe deKrauss conclui que as estruturas que deveriam dar origem aos buracosnegros simplesmente desintegram-se antes de ter tempo de criá-lo.

Krauss argumenta que os fenômenos que vêm sendo atribuídos aburacos negros pelos astrofísicos, nas últimas décadas, poderiam serexplicados por outros corpos de enorme atração gravitacional.

Ouvida pelo serviço noticioso ScienceNow, da revista Science,a astrônoma Kimberly Weaver, do Centro de Vôo Espacial Goddard, daNasa, diz que o problema com a teoria de Krauss é que nada parecidojamais foi observado: nos locais onde aparentemente há buracos negros,o que os astrônomos vêem é, de fato, matéria desaparecendo sem deixarrastro. Além disso, ela lembra que a radiação de Hawking, embora tenhauma base teórica sólida, nunca foi observada.