Tradições milenares convivem na China com medidas políticas, econômicase sociais de um regime comunista, instaurado com a revolução de 1949. Ovocábulo China deriva do nome da dinastia Qin (Tsin), fundadora doprimeiro império chinês.

A República Popular da China, terceiro país do mundo em extensão(9.572.900km2), depois da Rússia e do Canadá, é o mais populoso daTerra. A história de sua civilização remonta a cerca de quatro mil anos.

Situada no centro e no leste da Ásia, a China limita-se ao norte com aMongólia; a nordeste com a Rússia e a Coréia do Norte; ao leste com osmares Amarelo, da China Oriental e da China Meridional, porções dooceano Pacífico; ao sul com o Vietnam, o Laos, Myanmar (antigaBirmânia) e Bangladesh; a sudoeste, com o Butã, a Índia e o Nepal; aoeste com Jammu e Cachemir, o Afeganistão, o Tadjiquistão, oQuirguistão e o Casaquistão. Na ilha de Formosa (Taiwan) estabeleceu-seem 1949 o governo da República da China.

Geologia e relevo:

A topografia chinesa caracteriza-se pela imponência de suas cadeiasmontanhosas, quer pela altitude, que aumenta em direção a oeste, querpela extensão, pois as montanhas ocupam um terço do total doterritório. Em função do clima, da geologia e do desenvolvimentogeomorfológico, a China divide-se em quatro regiões distintas: aoriental, a sul-ocidental, a norte-ocidental e a litorânea.

Região oriental: No leste do país predominam planícies comaltitude inferior a 200m. A região, banhada por rios abundantes ecaudalosos, é a que oferece melhores condições de vida na China, poisos solos férteis e o clima úmido favorecem a agricultura e permitemaltos índices de concentração populacional. A planície do nordesteestende-se pela região histórica da Manchúria. É uma área muito fértil,circundada por montanhas antigas: o grande Khingan no oeste, o pequenoKhingan no norte e os maciços de Changbai no sudeste. O território,repleto de falhas geológicas, é muito instável. Em 1976, um abalosísmico acarretou a morte de centenas de milhares de pessoas.

No sul encontra-se a grande planície, larga faixa de terra que seprolonga de Pequim a Xangai. Essa fértil planície aluvial, cujahorizontalidade dificulta o escoamento dos rios, é interrompida poralguns acidentes como o maciço de Shandong (Shantung), que alcançaaltitude máxima no Tai Shan (1.532m). A oeste dessa vasta planícieestendem-se regiões acidentadas, entre as quais se destacam osplanaltos de Shanxi (Shansi) e Shaanxi (Shensi), de 1.200 a 1.600m,situados nos dois lados do rio Huanghe (Huang Ho ou Amarelo). Essazona, modelada pela erosão fluvial, acha-se coberta por loess, os solosmais férteis da China.

No sudeste, o relevo apresenta-se também bastante irregular. É umaregião de elevações de altitude inferior a dois mil metros, cujacomplexidade as transforma num obstáculo difícil de transpor. Aaltitude máxima ocorre nos montes de Nanling (1.922m). A oeste deNanling abre-se uma faixa mais elevada, composta de materiaiscalcários. Trata-se dos planaltos de Yunnan e Guizhou (Kweichow), ondeabundam os fenômenos cársticos. Embora, em média, a altitude sejainferior a dois mil metros, os montes Dieqiang (Tiechiang), no oeste,ultrapassam 3.680m.

Região do noroeste:

Os planaltos predominam no relevo do noroeste. O planalto de Xinjiang(Sinkiang) divide-se em dois grandes conjuntos por uma cordilheira nosentido leste-oeste: os Tianshan ou montes Celestes, cuja altitudemáxima ocorre no pico Pobedy (7.439m). A parte norte do planalto éformada pela depressão de Dzungária, com altitude inferior a 500m. Aparte sul de Xinjiang é uma grande bacia com altitudes que oscilamentre 700 e 1.400m e cujo setor central é constituído pelo deserto deTaklimaken, um dos mais inóspitos do mundo. Rodeiam essa bacia altasmontanhas: os montes Kunlun no sudoeste, os Tianshan no norte e noleste os montes Altun.

O planalto da Mongólia Interior, a leste de Xinjiang, é um territórioque atinge mil metros de altitude média e cerca a República Popular daMongólia. Apresenta topografia plana e clima árido, o que explica aformação de desertos pedregosos e de dunas, como os de Gobi e Mu Us.

Região do sudoeste. Os planaltos tibetanos do sudoeste constituem umrelevo complexo e muito acidentado, conhecido como o teto do mundo. Oplanalto ocidental alcança uma altitude superior a quatro mil metros,cercado de altíssimas montanhas: ao norte os montes Kunlun, onde sedestaca o pico Muztag (7.723m), e ao sul o Transimalaia (ouTrans-Himalaia), com o monte Gula (7.553m) e o Everest, pontoculminante do planeta (8.848m), que faz fronteira com o Nepal. Noextremo oeste dos Kunlun estende-se a bacia de Qaidam vasta regiãosemidesértica com altitude média de cerca de 2.700m.

O litoral chinês. De norte a sul, até a baía de Hangzhou, o litoral ébaixo e arenoso, formado pelo transporte de matéria aluvial do rioAmarelo e do Yangzi ou Yangtze. Ao sul de Xangai, a costa torna-semuito rochosa, escarpada e recortada, e as reentrâncias montanhosaschegam até o próprio mar.

Os acidentes litorâneos mais importantes são as penínsulas de Liaodonge Shandong, que formam o golfo de Bo ou Zhili; a baía de Hangzhou, aosul de Xangai; a baía próxima de Cantão (Guangzhou na transliteraçãopinyin), flanqueada por Hong Kong e Macau; e a península meridional deLeizhou, em frente à ilha de Hainan.

China

Clima:

A variedade de climas na China é determinada pela vastidão doterritório, pela elevada altitude de muitas regiões (que gera climasfrios em latitudes baixas e atua como barreira à penetração do armarítimo) e pela circulação atmosférica (o vento do noroeste, parte doanticiclone siberiano, frio e seco no inverno, e os ventos monçônicosdo sudeste, quentes e úmidos no verão).

A região oriental apresenta verões quentes e úmidos e invernos secos efrios. No nordeste da China (Manchúria) predomina o clima continental:temperaturas muito baixas no inverno e altas no verão, comprecipitações moderadas, em torno de 700mm anuais. Em direção ao sul, oinverno torna-se menos rigoroso, com a média em janeiro de -3,5o C emPequim; já os verões são quentes (27o C em julho). As precipitações sãoabundantes na costa -- mais de mil metros anuais em Nanquim (Nanjing)--, mas diminuem rumo ao interior (600mm em Pequim). No sudesteprevalece o clima do tipo subtropical, úmido e quente. Asprecipitações, de origem monçônica, são profusas: 1.640mm em Cantão. Astemperaturas são muito altas no verão (entre 27 e 30o C) e suaves noinverno (13o C).

No oeste o clima torna-se mais seco à medida que se penetra nointerior, e mais frio quando se avança para o norte (desertos frios deTaklimaken, Mu Us e Gobi). No sudoeste, a altitude acentua o frio e aaridez no planalto tibetano, quase desabitado. Os montes Qinling(Tsinling), na China central, também exercem importante papel dedivisor climático. Essa região está submetida a um clima de transiçãoentre o semi-árido do norte e o subtropical do sul, com precipitações etemperaturas moderadas.

Hidrografia:

A China conta com numerosos rios, alguns muito caudalosos. Todavia, adistribuição dos cursos fluviais é bastante irregular. A porçãooriental do país é bem irrigada, pois os rios principais, o Yangzi, oAmarelo e o Xijiang (Hsi Kiang), desembocam no Pacífico. Já a partenorte-ocidental apresenta poucos cursos fluviais, e de menorimportância, alguns dos quais formam bacias endorréicas (que nãodeságuam no mar), como a do Tarim.

Na vertente do Pacífico, o rio mais setentrional é o Amur, que serve defronteira com a Rússia ao longo de mais de 1.600km, e desemboca emterritório russo. O Amarelo, que nasce nos montes Kunlun, e em cujosvales floresceu a cultura chinesa em seus primórdios, desemboca nogolfo de Bo, bem como o rio Liao, após percorrer 5.464km. O Yangzi é ocurso fluvial mais longo e caudaloso. Com 6.300km de comprimento, nasceno Tibet e drena uma região habitada por centenas de milhões depessoas; tem como principais afluentes o Huai, o Han e o Min edesemboca, formando um delta, ao norte de Xangai, no mar da Chinaoriental. Deságuam no mar da China Meridional o Xijiang e o Mekong(este acaba no Vietnam).

No extremo sul-ocidental da China, na região do Tibet, nascem diversosrios que cortam outras nações (como o Brahmaputra, o Irrawaddy e oIndo). Na porção norte-ocidental, encontram-se bacias endorréicasalimentadas por águas procedentes da fusão das neves; é o caso do Tarim.

Flora e fauna:

Determinada pelos solos e pelo clima, a flora chinesa é muito variada.No nordeste, as planícies apresentam estepe densa, enquanto asmontanhas acham-se cobertas de bosques mistos de coníferas, carvalhos,bordos e bétulas. Ao sul, na grande planície, o bosque natural foisubstituído ao longo de milênios por culturas agrícolas.

Na China central abundam espécies de grande valor econômico, como obambu, o tungue e outras árvores de que se extraem óleos. Na zonatropical do sul são comuns as árvores de madeira rija, semelhantes àsque ocorrem no Sudeste Asiático. Nas áridas regiões norte-ocidentaispredominam a vegetação de estepe fria e os bosques de coníferas,enquanto nas zonas mais elevadas prevalece a flora do tipo alpino.

Os diversos climas e formações vegetais favorecem uma fauna muito ricae variada que, embora relacionada com a das zonas asiáticas limítrofes,também apresenta espécies autóctones ou que se extinguiram em outrasregiões do continente. O peixe-espada típico do Yangzi (Psephurusgladius), um crocodilo pequeno e a salamandra gigante são algumas dasespécies exclusivas da China. Muito característicos são também o ursopanda, o antílope das estepes e diversas espécies de faisões e tordos.

População - Etnias:

Embora todos os seus habitantes provenham do tronco mongol, a China éum país multinacional, tanto do ponto de vista étnico como dolingüístico. A população em sua maioria pertence ao grupo han (chinês),que apresenta, porém, características raciais variadas. Os chineses donorte são mais altos e têm o rosto mais comprido que os do sul; estes,por sua vez, têm a pele mais morena que os do norte.

O resto da população compõe-se de 55 grupos minoritários, com tradiçõesculturais, religiões e línguas próprias. Localizam-se mais no oeste, naperiferia do país, onde os han estabeleceram-se em épocas mais recentese, assim, não conseguiram absorver as outras etnias. Na região sudoesteficam as minorias mais numerosas: o grupo chuang (zhuang) no Yunnan eos tibetanos no Tibet. No noroeste acham-se os uigur, os casaques e osmongóis, e no nordeste os manchus, totalmente assimilados à populaçãohan.

Línguas:

Os idiomas falados na China provêm de quatro troncos: o sino-tibetano, o altaico, o indo-europeu e o austro-asiático.

O idioma oficial, falado pela maioria da população, é o chinês, dafamília sino-tibetana, que apresenta diferentes dialetos regionais,embora todos utilizem a mesma escrita. Embora sua escrita (caracteresideográficos) seja universal, a pronúncia varia segundo a região eexistem oito dialetos ininteligíveis entre si, a maioria deles usada nafaixa costeira do sul. A partir da década de 1950 o governo favoreceu odialeto do norte, o mandarim ou pequinês, adotado nas escolas. Em 1979,a pedido do governo da República Popular da China, a imprensa de todo omundo começou a empregar um novo sistema (o pinyin) para grafar os sonsdo chinês mandarim. Entre outras modificações, o pinyin, que utiliza oalfabeto romano, faz uso freqüente do x e do g, ao contrário dotradicional sistema Wade-Giles, e abole o hífen entre dois nomespersonativos.

O segundo tronco lingüístico, o altaico, divide-se, na China, em doisramos: o turco, representado pela minoria uigur, e o mongol. Os outrosdois troncos lingüísticos são minoritários. O tronco indo-europeuprevalece no noroeste com os tadjiques, enquanto o austro-asiático érepresentado pela minoria kawa, que habita o sul do país, na fronteiracom Myanmar.

Demografia:

A China é o país mais populoso do mundo. De cada cinco habitantes doplaneta, um é chinês. A população se multiplicou por vinte desde oinício da era cristã. No século II, havia 57 milhões de chineses. Em1600, eles já eram 150 milhões e, no começo do século XIX,ultrapassavam 400 milhões. Em 1953, o primeiro censo rigoroso contou583 milhões de habitantes. A partir de 1950, a estabilidade social, aintrodução de melhorias sanitárias e um padrão de vida mais elevadoprovocaram um aumento acelerado na taxa de natalidade. Em fins dadécada de 1980 o país passou a marca de um bilhão de habitantes.

Em meados da década de 1970, o perigo da superpopulação levou o governochinês a adotar medidas drásticas de controle da natalidade, promovendoo uso de anticoncepcionais, recomendando o casamento em idade maismadura e impondo penalidades às famílias com mais de um filho. Com essapolítica, o crescimento vegetativo caiu de 2,6% ao ano para menos de umpor cento, mas nem por isso a população deixou de crescer em mais de 12milhões por ano.

Além dos habitantes da República Popular, uma numerosa colônia chinesa,que no fim do século XX ultrapassava 17 milhões de pessoas, vive emoutros países, sobretudo no sudeste asiático, nos Estados Unidos e naEuropa. Esses grupos provêm de antigas emigrações, já que, depois darevolução de 1949, limitaram-se as saídas do país.

As condições naturais tornam a distribuição demográfica muitoirregular. O clima da metade oeste do país impede ou reduz ao mínimo acolonização (regiões desérticas do Tibet e Xinjiang). Somente nas zonasbem irrigadas no sopé das montanhas encontram-se alguns núcleos depopulação. A maior parte dos chineses concentra-se na região oriental,sobretudo na costa, zona de clima ameno e solos férteis. A densidademédia é muito elevada; nas fecundas planícies do Yangzi e em Cantão,supera mil habitantes por quilômetro quadrado.

A maioria da população é rural; em fins da década de 1980, mais deoitenta por cento dos chineses viviam no campo. Contudo, a partir de1950, a população urbana começou a crescer, devido à procura demão-de-obra nas cidades em franco desenvolvimento industrial. Até arevolução de 1949, a indústria era pouco importante e as cidades tinhamuma função quase exclusivamente administrativa e comercial. Depois, asgrandes cidades chinesas transformaram-se em importantes centrosindustriais e comerciais. Destacam-se Xangai, Tianjin (Tientsin),Cantão e Pequim, a capital do país.