E não é a primeira vez que teríamos um alfabeto inteiropara caracterizar e detalhar os sucessos e fracassos de uma avaliaçãona educação brasileira. O exame que seria aplicado nos dias 3 e 4 deoutubro é uma prova do quanto estamos buscando um parâmetro educacionalmais abrangente e, ao mesmo tempo, de quanto temos necessidade deprofissionalizar as nossas instituições.

Também não é a primeira vez que palavras fortes ecom um peso semântico maior ainda são implacáveis ao conferir a glóriaou a reprovação em uma situação concernente à Educação: pioneirismo,competência, firmeza, constância, excelência e incontáveis outras queprivilegiam e massageiam um sem número de egos.

Em meio a tantas informações, opiniões, análises e comparações daprova, é possível gerar mais uma, talvez repetitiva ou um tanto óbvia,mas em educação, a experiência ensina que uma porção de erros pode serevitada se houver atenção à obviedade e no tocante à construção dotexto escrito, que é o tópico em que desejo deter-me, isso éimprescindível.

A avaliação de redação do Exame Nacional do Ensino Médionão tem sofrido variações significativas, a estrutura de textoargumentativo é a mesma desde o 1. exame – e lá se vão 11 anos -, asolicitação de temas tem circundado as discussões corriqueiras quequalquer escola que segue os encaminhamentos constantes nos PCNs deverealizar.

A proposta da “prova que não foi” apresentava como tema a discussão sobre a VALORIZAÇÃO DO IDOSO e isso remete a um texto de opinião do articulista Wilson Jacob Filho,cobrado como referência para a realização de um resumo em um concursovestibular anterior da UFPR, o que leva a crer que a discussão não énova, tampouco imediatista. Caminhos para a construção de um bom textonão faltam: atender satisfatoriamente às competências exigidas é quegera um diferencial significativo aos alunos que, a partir deste ano,passam a ser emblematicamente “candidatos” ao realizarem uma avaliaçãoque se transforma em processo de seleção.

Aliás, em se tratando de competências, elas são exigências deleitura e compreensão que perpassam a íntegra do conjunto de questões ea estratégia de atendê-las na realização de um texto que se destaquepassa pela diversidade de elementos coesivos, pela escolha adequada eespecífica de vocabulário, pela progressão coerente e cordata de idéiase, por se tratar de uma exigência da prova, da sugestão de uma soluçãoviável e inteligente para o problema exposto.

Como transformar todo o discurso e todas as boas intenções empreparação e resultados efetivos? Preparando-se para o modelo de prova.Não basta saber o conteúdo, é preciso conhecer e exercitar o nível deexigência, já que, de acordo com o próprio MEC, um dos critérios de elaboração e realização da prova é evitar o acúmulo de conhecimento sem objetivo.