Sustentabilidade é a palavra do século. Nesta semana um amigo,

Sérgio Lagoa, comentou sobre este processo que promove a

sustentabilidade. Entretanto não estamos falando do futuro, mas sim do

presente. A cogeração consiste em produzir energia elétrica e térmica

simultaneamente a partir de um combustível comum ou, melhor ainda, a

partir de resíduos da atividade industrial.

Todos devemos saber que a atividade humana fatalmente produz muitos

resíduos, principalmente lixo proveniente de atividades domésticas,

industriais e da construção civil. Tudo que transformamos, em processos

antropogênicos, gera produtos desinteressantes. O que devemos fazer com

isso? Em geral, o transporte desse lixo infelizmente inviabiliza

economicamente a reciclagem do mesmo, principalmente em cidades como

São Paulo, que produz quantidades astronômicas de resíduos e possui

apenas uma estação cadastrada para reaproveitamento de resíduos da

construção civil, por exemplo. Imagine se vale a pena pagar para um

caminhão transportar lixo no trânsito caótico de São Paulo (ver post do

dia 09/09) por um percurso de, em alguns casos, 40 quilômetros!

Inviável...

Em uma indústria de embalagens chamada INAPEL, localizada em

Guarulhos (São Paulo), Sérgio ajudou a implantar um sistema de

cogeração movido a gás natural. Este processo permite que a planta seja

capaz de atingir um nível de eficiência beirando os 90%. Para se ter

uma idéia, um carro movido a gasolina aproveita em média apenas 30% da

energia contida em seu combustível.

A indústria de papel e plásticos produz muitos dejetos agressores de

corpos d'água e da atmosfera, causando um déficit ambiental grave. As

regulamentações impostas pelo governo a partir da década de

setenta demandam investimentos por parte dessas indústrias de forma a

minimizar o dano ocasionado, o que resulta em encarecimento dos

produtos e impactos na economia. Essas externalidades podem ser

generalizadas para a escala mundial, o que significa um impacto na

economia mundial somente devido a passivos ambientais causados por

indústrias.

Portanto, a otimização da produção energética na indústria através

da cogeração traz benefícios não só do ponto de vista

da auto-suficiência energética, mas também do ponto de vista econômico

do mercado. O capital que antes era "queimado" na forma de combustível

não aproveitado agora pode ser empregado no tratamento de emissões da

indústria e, conseqüentemente, é capaz de beneficiar a oferta dos

produtos oferecidos pela fábrica em questão de modo a melhor atender

sua demanda no mercado.

É uma forma inteligente e eficiente de controle do meio-ambiente, A

alternativa é capaz de ao menos minimizar drasticamente o problema

ambiental sem que seja necessária a tributação. Temos aqui um exemplo

claro do Teorema de Coase: o governo, ao incentivar indústrias a

implantarem processos de cogeração, estão trazendo benefícios tanto

para as empresas quanto para si mesmo.

A sustentabilidade é uma realidade!

E vamos a mais uma pequena coletânea de notícias, desta vez, sobre Sustentabilidade Ambiental.

  • Um projeto britânico pretende construir uma estrutura capaz de gerar alimentos, água limpa e energia no meio de um deserto como o do Saara.

    A estrutura consiste em uma grande estufa onde seria possível cultivar

    os vegetais com água evaporada do mar.

    Para isso, utilizarão máquinas "evaporadoras"

    que converterão a água salgada em um vapor que, não só será utilizado

    na irrigação, como também resfriará o ambiente interno, baixando em até

    15 graus a temperatura. Anexo à estufa, serão instalados enormes painéis solares para a geração de energia elétrica.

    É realmente um complexo inteiramente sustentável e que auxiliará no

    desenvolvimento dos países localizados em regiões desérticas. Além

    disso, todo o excedente de produção poderá ser enviado à Europa, em

    especial a energia gerada.

Representação gráfica de como serão as estruturas acima citadas.

  • Uma fábrica iniciou a produção de uma espécie de "madeira plástica" que

    será utilizada em construções. Ela é feita a partir de uma mistura de

    plásticos de embalagens descartáveis com fibras vegetais, provenientes

    de cocos e até mesmo tapetes. A mistura leva ainda borra de café.

    Ela é

    prensada a uma temperatura de 200ºC e se parece muito com a madeira

    comum em seu aspecto. A vantagem é que é muito mais durável por possuir

    plástico em sua composição e não necessita de envernizamento constante.

    Além disso, é uma ótima maneira de se reutilizar todo o plástico que se tornaria lixo e contribuiria para a poluição do meio ambiente.

  • Cresce a cada dia o número de empreendimentos imobiliários que utilizam itens de sustentabilidade em suas construções. São os "Eco-imóveis".

    Aqui no Rio, por exemplo, há vários condomínios sendo construídos que farão coleta seletiva

    e utilizarão fontes alternativas de energia, além de serem decorados

    com plantas e outras paisagens naturais. Há inclusive prédios que já

    contarão com tubos por onde o óleo de cozinha será diretamente despejado e coletado

    para reciclagem.

    Outros investem nos chamados "telhados ecológicos" (ou

    telhados verdes), os quais contam com vegetação plantada no topo dos

    edifícios, a qual diminui significantemente a temperatura sem o uso de refrigeradores. Com relação a água, há captação de água de chuva, reduzindo os custos; e há a recaptação de água utilizada, em torneiras, a qual pode ser utilizada para dar descargas, lavar carros, quintais, regar plantas, etc.

Todas

as novidades citadas acima mostram, mais uma vez, que a capacidade

criativa do ser humano é enorme e somos "SIM" capazes de contornar os

problemas ambientais atuais. Basta acreditarmos nessa capacidade e mudarmos um pouquinho só os nossos hábitos.