A União Astronômica Internacional em sua Assembléia Geral de 24 de agosto de 2006 aprovou resolução segundo a qual um planeta é um corpo celeste que:

(a)    está em órbita ao redor do Sol;

(b)   tem forma determinada pelo equilíbrio hidrostático (arredondada) resultante do fato de que sua força de gravidade supera as forças de coesão dos materiais que o constituem;

(c)   é um objeto de dimensão predominante entre os objetos que se encontram em órbitas vizinhas.

Dessa definição resulta que o Sistema Solar possue apenas 8 (oito) planetas conhecidos: Mercúrio, Venus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Plutão perde o status de planeta que lhe havia sido atribuido por ocasião de sua descoberta como resultado de uma errônea avaliação de suas reais dimensões. (Versão oficial da resolução)

O item (c), responsável pela redução do Sistema Solar a 8 planetas tem uma base dinâmica muito clara. Se dois corpos se formam em órbitas muito próximas uma da outra, a probabilidade de que subsistam é mínima (mas a existência de planetas co-orbitais é matematicamente possível – existe mesmo a suspeita de um caso desse tipo nos sistemas planetários extra-solares recem descobertos).

O mais provável é que venham a colidir. Por exemplo, um planeta que teria se formado entre a Terra e Marte poderia ter colidido com a Terra nos primórdios do Sistema Solar gerando os detritos de que se formou a Lua. Plutão existe em uma órbita que cruza a órbita de Netuno cuja estabilidade se deve ao fato de ser um corpo pequeno. Fosse maior e o seu destino mais provável teria sido uma colisão com Netuno e a sua destruição. É bom lembrar que um dos enigmas do Sistema Solar, o satélite Tritão (satélite de Netuno), provavelmente resultou de um evento singular em que, um objeto semelhante a Plutão, movendo-se em uma órbita ao redor do Sol, se aproximou de Netuno e foi capturado tornando-se um  satélite desse planeta.

Embora a definição adotada seja verborrágica, a realidade física que ela exprime é muito simples. São planetas aqueles corpos do Sistema Solar que se formaram acretando, dentro da nebulosa solar primitiva quase toda a matéria existente na vizinhança de suas órbitas. São corpos que se formaram num período de relativa abundância local de matéria. Não são planetas aqueles objetos que, embora também acretados dentro da nebulosa solar primitiva, não encontraram a abundância de matéria e as condições dinâmicas que seriam necessáriam para que atingissem as dimensões de outros objetos de sua imediata vizinhança permanecendo em uma órbita estável.

Da Antiguidade aos pequenos planetas

Na antiguidade os astros que se viam no céu eram divididos em duas categories:

1) As estrelas fixas,  “presas” no céu, em uma estrutura fixa, o firmamento, que gira ao redor da Terra fazendo com que vejamos as estrelas surgiram no horizonte, a leste, e desaparecerm a oeste.

2)  Os sete astros visíveis que se movem entre as estrelas: Lua, Mercúrio, Venus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, na ordem em que se situam na cosmologia grega. Eles eram chamados “planetas”, que em grego significa vagabundo, errante. Todos movendo-se ao redor da Terra.

Esses sete “planetas” aparecem em todas as cosmologias antigas e de alguma maneira foram responsáveis pela adoção da semana de sete dias em nossos calendários. Em algumas linguas, os nomes dos planetas são diretamente vinculados a esses sete astros. Por exemplo em ingles o sábado e o domingo se chamam Saturday e Sunday, os dias de Saturno e do Sol. Em espanhol esses dias se chamam como em português, mas os outros dias da semana são Lunes, Martes, Miércoles, Jueves e Viernes – os dias da Lua, de Marte, de Mercúrio, de Júpiter e de Venus. 

Na troca do geocentrismo pelo heliocentrismo, no início da Astronomia Moderna, o Sol foi colocado no centro do Sistema Solar e a Terra passou a ser um planeta em movimento ao redor do Sol. Nessa época os planetas passaram a ser seis: Mercúrio, Venus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno (em ordem crescente de distância ao Sol). A Lua passou a ter  um status distinto, o de um astro que se move em uma órbita ao redor de um planeta.

Nesse tempo, a definição de um planeta era clara. Um planeta é um astro que se move em uma órbita ao redor do Sol. E quando Urano foi descoberto por Herschel, em 1761, não houve discussão. Urano se movia em uma órbita ao redor do Sol. Era portanto mais um planeta, o sétimo. Em 1801, Piazzi descobriu Ceres. Uma vez mais não houve discussão. Ceres se movia em uma órbita ao redor do Sol e portanto era mais um planeta.

A órbita de Ceres se situava em um imenso vazio existente entre as órbitas de Marte e Júpiter, e resolvia o enigma da existëncia dessa lacuna no sistema. Mas os anos seguintes trouxeram muitos outros “planetas” nessa mesma região: Palas, Juno, Vesta, ... e Herschel foi o primeiro a se manifestar observando que, ao contrário dos outros, esses “planetas” não apareciam como pequenos discos nos telescópis, mas apenas como pontos luminosos, indicando se tratarem de objetos muito menores. Herschel passou a chamá-los de “asteróides”.

Em 1846, Leverrier descobriu Netuno (a partir da análise dinâmica das observações de Urano), um planeta em uma órbita ainda mais longínqua que Netuno. Mas outros “planetas” continuavam ser descobertos entre as órbitas de Marte e Júpiter. Em 1860 eles ja eram muito mais do que 50, mostrando que se tratava de uma população com características próprias e distintas das dos 8 planetas principais. Pouco a pouco, os anuários astronômicos passaram a referir-se a eles como “minor planets”, “kleine planeten”, “petites planètes”, .... além da denominação proposta por Herschel.

Com isso, o tipo do movimento deixava de ser o critério único para se classificar um astro como planeta ou não. E a idéia de que os asteróides eram restos um planeta que teria existido entre Marte e  Júpiter era suficiente para explicar as diferenças de maneira simples.