A população brasileira cresceu quatro vezes em 60 anos e, embora a taxa de analfabetismo tenha sido reduzida a um quinto do que era, o número absoluto de analfabetos, curiosamente, se manteve. É o que revela o estudo “Tendências Demográficas: uma análise da população com base nos resultados dos Censos Demográficos de 1940 e 2000”, divulgado recentemente pelo IBGE. O estudo mostrou também o crescimento da expectativa de vida do brasileiro e o aumento do percentual de casados no país, que está menos católico e mais miscigenado.

Em números absolutos, o país tinha, em 1940, a mesma quantidade de analfabetos que no ano 2000: 16,4 milhões. Já a taxa de analfabetismo de pessoas de 10 anos ou mais de idade passou de 56,8% para 12,1%, em 60 anos, no período analisado.

Em 1940, menos de um terço das pessoas entre 7 e 14 anos freqüentava a escola, enquanto que, em 2000, a taxa de escolarização passou para quase 95% das crianças nessa faixa. Os maiores crescimentos foram observados nas regiões Nordeste, que passou de 18,8% (1940) para 92,9% (2000), e Centro-Oeste, que passou de 20,5% para 95,5%.

Os dados do IBGE mostram que o número de crianças e adolescentes que trabalham caiu nos últimos 60 anos de 33,7% para 10,8%. Já o número percentual de idosos que continuam no trabalho caiu de 5,8% para 4,6%. A quantidade de idosos no país dobrou.

População passou de 41,2 milhões para 169,8 milhões em 60 anos

A população do Brasil passou de 41,2 milhões para 169,8 milhões de habitantes em 60 anos. Na década de 40, os cinco estados mais populosos do Brasil eram São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em 2000, a Bahia trocou de posição com o Rio de Janeiro.

Em 1940, o município do Rio de Janeiro destacava-se como o de maior população, seguido dos municípios de São Paulo, Recife, Salvador e Porto Alegre. Em 2000, São Paulo era o mais populoso, concentrando 6,1% do efetivo populacional do país.

Ainda de acordo com a pesquisa, a densidade demográfica do Brasil saltou de 4,8 hab/ km² para 19,9 hab/km².

O Centro-Oeste foi a região que apresentou maior crescimento: duas vezes e meia maior que o nacional (de 0,7 para 7,2 hab/km²), seguido pela região Norte (de 0,4 para 3,4 hab/km²), cujo aumento da densidade foi o dobro do nível nacional. Reflexo do avanço da ocupação econômica dessas duas regiões nos últimos 30 anos.

Expectativa de vida aumenta 30 anos em seis décadas

Em 60 anos, os brasileiros passaram a ter uma expectativa de vida quase 30 anos maior. Segundo a pesquisa, a expectativa de vida da população era de 42,7 anos em 1940, atingindo o patamar de 70,4 anos em 2000. Nesse período houve envelhecimento da população brasileira.

Índice de urbanização salta de 31,3% para 81,2%

Nos últimos 60 anos, a taxa de urbanização do Brasil saltou de 31,3% para 81,2%, segundo a pesquisa.. No ano 2000 o número de pessoas na região urbana saltou para 137,9 milhões, do total de 169,8 milhões de habitantes.

O Amapá, que em 1940 era o estado com a menor população urbana, apenas 7,1%, em 2000 atingiu 89% de urbanização. Esses dados de urbanização apresentados pelo IBGE são profundamente polêmicos, pois os critérios para definir população urbana são ultrapassados e inadequados, provocando distorções. Amapá com 89% de população urbana? Estranho!

Número de evangélicos aumentou em todas as regiões do Brasil

O estudo mostrou também uma expressiva redução de católicos apostólicos romanos, de 95% para 73,6%, da população no período 1940/2000. Enquanto isso, os evangélicos cresceram de 2,6% para 15,4%. É no Nordeste que os católicos apresentam sua maior concentração (cerca de 80% de população – 2000), já os evangélicos estão mais representados na Região Norte (19,8%).

Miscigenação reduziu percentual de brancos e pretos

De acordo com a pesquisa, a miscigenação reduziu o percentual de brancos e pretos, segundo classificação do IBGE, em 60 anos. As pessoas que se auto-declararam como brancas, em 1940, representavam 63,4% da população e, de acordo com o Censo 2000, houve redução para 53,7%.

Também decresceu a proporção de pretos (14,6% para 6,2%). Houve grande ganho populacional para as pessoas que se auto-declararam pardas, de 21,2% para 38,5%, influenciado pelo processo de miscigenação racial e uma forma de “esconder” sua verdadeira cor. Para o Nordeste, foi observada, em 1940, a maior proporção de pretos do país (19,6%). O Censo de 1940 não incluiu os indígenas, que foram contados no Censo 2000: 734 mil em todo território nacional, ou 0,4% dos brasileiros.

Maior percentual de imigração ocorreu na década de 50

Segundo o estudo, a distribuição da população do país segundo a nacionalidade, em 1940, revelou que 96,6% eram brasileiros natos, sendo o percentual de estrangeiros de 3,1%. Em 2000, 99,6% eram brasileiros natos.

A pesquisa também mostrou que houve um aumento do número de pessoas de 10 anos ou mais de idade ocupada em alguma atividade econômica. Em 1940, eram 28,9 milhões de pessoas e, em 2000, 65,6 milhões. A agricultura, pecuária e silvicultura em 1940, que representava 32,6% da população ocupada, declinou para praticamente a metade, 17,9% em 2000 e na proporção por sexo as mulheres dobraram a sua participação.