9) Não use a sua religião como argumento.

Algumas pessoas incorrem na falha de, numa dissertação objetiva, utilizar argumentos religiosos a fim de comprovar a tese. Lembre-se: informações e/ou argumentos bíblicos devem ser utilizados no âmbito religioso. Numa redação objetiva de vestibular, busque outros recursos. Veja um exemplo de argumentação religiosa utilizada em redação de vestibular:

É difícil compreender como uma pessoa  pode ser favorável ao aborto. As Sagradas Escrituras prevêem sérias punições aos que ousam ceifar a vida humana, tarefa que cabe exclusivamente a Deus, nosso Criador.

10) Fuja das palavras muito “fortes”.

Equilíbrio: característica fundamental da dissertação. Não deixe que, na sua dissertação, surjam palavras exageradamente expressivas. Você pode manifestar uma opinião favorável ou contrária a determinado assunto por meio de palavras menos emotivas. Veja como, no trecho abaixo, o aluno-escritor “forçou” na expressividade:

É interessante, porém, que, mais que não olhar para as conseqüências, os responsáveis se deixem levar pela sua falsa segurança (o dinheiro) e continuem com sua conduta, imperceptível aos próprios, putrefata em relação à humanidade.

Ele poderia empregar as palavras “negativa” ou “injusta”, que seriam mais “calmas”...

11) Evite gírias, termos coloquiais e estrangeirismos não-incorporados ao português.

Toda comissão avaliadora de redações levará em consideração se o aluno se adaptou à modalidade escrita de texto, que, por natureza, é mais formal que a falada. Por isso, não são bem-vindas expressões coloquiais demais (típicas da linguagem do bate-papo), como gírias e palavrões.

É bom lembrar, porém, que, se você escrever uma carta a um estudante de Ensino Médio, por exemplo, a utilização de um ou outro termo coloquial – próprio do universo lingüístico do interlocutor – não constituirá problema (desde que não haja exagero, obviamente). Quanto a palavras e expressões estrangeiras, só as utilize se houver necessidade e, de preferência, se forem comuns ao leitor em geral ou ao leitor específico, caso se escreva uma carta. Veja um exemplo do que não se deve fazer:

O Governo defende a privatização, considerando-a como a salvação de uma sociedade em crise. Mas na verdade tudo isso é bobeira. Os caras querem, na verdade, torrar todo o dinheiro que a venda das estatais vai gerar e deixar o povo, como sempre, out.        

O trecho ficaria bem melhor assim:

O Governo defende a privatização, considerando-a como a salvação de uma sociedade em crise. Mas na verdade a maioria dos argumentos não procede. Alguns políticos querem, na verdade, gastar todo o dinheiro que a venda das estatais vai gerar e deixar o povo, como sempre, desamparado.     

12) Linguagem rebuscada também é evitável.

Assim como o coloquialismo é evitável na modalidade escrita de texto, os preciosismos e a linguagem muito “enfeitada” não devem ser utilizados. Não utilize a redação para demonstrar ao corretor que tenha decorado algumas palavras “difíceis”, como se isso comprovasse a sua habilidade textual. A sua linguagem deve ser simples, clara e adequada às regras da norma culta do português. Não escreva um texto como este:

O Governo, por meio de sua Carta Magna, já tornou perfunctórios os processos de privatização, como se o exício do fulgor estatal na economia não obstasse ao desenvolvimento.

Um como este ficaria melhor:

O Governo, por meio de sua Constituição, já tornou comuns os processos de privatização, como se a queda da influência estatal na economia não obstasse ao desenvolvimento.