A prova de Português visa avaliar a capacidade de ler, compreender e interpretar criticamente textos de toda natureza (literários e não-literários), bem como a capacidade de  mobilizar conhecimentos lingüísticos na produção de textos que atendam aos requisitos de adequação, correção, coesão e coerência.

Para isso, o candidato deve dominar o conteúdo dos itens adiante. Insista-se em que a verificação desse conhecimento se fará sempre por meio de sua aplicação a textos de qualquer extensão e natureza. Fica implícita a necessidade de uma nomenclatura a que o candidato já se terá habituado no decorrer de sua formação, no ensino fundamental e médio, mas cujo conhecimento não será tido como um fim em si.

Língua Portuguesa

1. Distinção entre variedades do português.

2. Norma ortográfica.


Morfossintaxe das classes de palavras:

1 flexão nominal;

2 flexão verbal: expressão de tempo, modo, aspectos e voz; correlação de tempos e modos;

3 formação de palavras;

4 concordância nominal e verbal;

5 regência nominal e verbal;

6 pronomes;

7 advérbios;

8 conectivos: função sintática e valores lógico- semânticos;

9 processos de coordenação e subordinação;

10 reorganização de orações e períodos; paragrafação;

11 citação de discursos: direto, indireto e indireto livre.

Organização do texto:

1 dissertação: fato e demonstração / argumento

e inferência / relações lógicas;

2 narração: seqüenciação de eventos /

temporalidade;

3 descrição: simultaneidade / espacialidade na

ordenação dos elementos descritores.


Elementos de composição:

1 recursos expressivos; estratégias de articulação do texto;

2 poema: sonoridade, ritmo, verso, imagens.

6. Relação do texto com outros textos (intertextualidade); diversidade de tratamento de um tema.

7. Relação do texto com a obra em que se insere ou com o conjunto da obra de um autor.

8. Relação do texto com seu contexto histórico e cultural.

Para formação do estudante, no que se refere a textos literários, pressupõe-se um certo repertório

de leituras que inclua, entre outras, as abaixo discriminadas.

Literatura Portuguesa

a) Trovadorismo: (Cantigas de amigo e Cantigas de amor)

b) Humanismo: Gil Vicente (Farsa de Inês Pereira, Auto da barca do inferno e Auto da Índia).

c) Classicismo: Camões (Poesia lírica: sonetos; poesia épica: episódios do Concílio dos deuses (I, 20-41), de Inês de Castro (III, 118-135), do Velho do Restelo (IV, 90-104) e do Gigante Adamastor (V, 37-60), de Os Lusíadas.

d) Barroco: Padre Antônio Vieira (Sermão da sexagésima, Sermão da quarta-feira de cinzas, Sermão de Santo Antonio aos peixes e Sermão do mandato).

e) Arcadismo: Bocage (Sonetos).

f) Romantismo: Almeida Garrett (Viagens na minha terra e Frei Luís de Sousa), Alexandre Herculano (Lendas e narrativas, Eurico, o presbítero), Camilo Castelo Branco (Amor de perdição, A queda d’um anjo), Júlio Dinis (A morgadinha dos canaviais).

g) Realismo: Eça de Queirós (A cidade e as serras, O mandarim, O primo Basílio, A ilustre casa de Ramires, Os Maias, Contos).

h) Simbolismo: Camilo Pessanha (Clepsidra).

i) Orpheu: Mário de Sá Carneiro (poesia: Dispersão e Indícios de Oiro; Contos: A estranha morte do Prof. Antena, Mistério, Asas, O homem dos sonhos, O fixador de instantes), Fernando Pessoa (Poesia ortônima e heterônima).

j) Modernismo: Miguel Torga (Os contos da montanha), Vergílio Ferreira (Aparição), Carlos de Oliveira (Uma abelha na chuva - última versão), José Cardoso Pires (Conto: Jogos de azar), José Saramago (Memorial do convento, História do cerco de Lisboa), Almeida Faria (O conquistador), Agustina Bessa-Luís (A Sibila, A corte do norte, A brusca).

Literatura Brasileira

a) Barroco: Gregório de Matos (Poesia satírica e poesia lírico-amorosa).

b) Arcadismo: Cláudio Manuel da Costa (Sonetos), Tomás Antônio Gonzaga (Marília de Dirceu).

c) Romantismo: Gonçalves Dias (Poesias), Álvares de Azevedo (Noite na taverna, Lira dos vinte anos), Castro Alves (Espumas flutuantes, Os escravos), José de Alencar (Iracema, O guarani, Senhora, Lucíola, O tronco do ipê),

Manuel Antônio de Almeida (Memórias de um sargento de milícias), Martins Pena (teatro: Juiz de Paz na roça, O noviço).

d) Realismo – Naturalismo: Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Papéis avulsos, Histórias sem data, Várias histórias), Aluísio Azevedo (O mulato, O cortiço), Raul Pompéia (O Ateneu).

e) Parnasianismo – Simbolismo: Olavo Bilac (Poesias), Raimundo Correia (Sinfonias, Versos e versões), Cruz e Souza (Broquéis, Últimos sonetos).

f) Pré-modernismo e Modernismo: Lima Barreto (Recordações do escrivão Isaías Caminha, Triste fim de Policarpo Quaresma), Mário de Andrade (Paulicéia desvairada, Lira paulistana, Amar, verbo intransitivo, Macunaíma, Contos novos), Oswald de Andrade (Poesias reunidas, Memórias sentimentais de João Miramar), Alcântara Machado (Brás, Bexiga e Barra Funda), Monteiro Lobato (Urupês), Manuel Bandeira  (Estrela da vida inteira).

Tendências contemporâneas:

1- Prosa: José Lins do Rego (Menino de engenho, Fogo morto), Graciliano Ramos (São Bernardo, Vidas secas), João Guimarães Rosa (Sagarana, Primeiras estórias, Manuelzão e Miguilim), Jorge Amado (Capitães de areia, Os velhos marinheiros), Clarice Lispector (Perto do coração selvagem, Laços de família, A legião estrangeira, A hora da estrela), Érico Veríssimo (O tempo e o vento), Cyro dos Anjos (O amanuense Belmiro), Pedro Nava (Balão cativo), Rubem Braga (Crônicas - Contos), Carlos Drummond de Andrade (Crônicas e contos: A bolsa e a vida, Contos de aprendiz, Cadeira de balanço), João Ubaldo Ribeiro (Sargento Getúlio), Rubem Fonseca (Feliz ano novo, A coleira do cão), Dalton Trevisan (Cemitério de elefantes).

2- Poesia: Cecília Meireles (Romanceiro da Inconfidência), Carlos Drummond de Andrade (Alguma poesia, A rosa do povo, Claro enigma, Lição de coisas), João Cabral de Melo Neto (Morte e vida severina, A educação pela pedra), Jorge de Lima (Poemas negros), Murilo Mendes (Contemplação de Ouro Preto), Ferreira Gullar (Toda poesia), José Paulo Paes (Um por todos).

3- Teatro: Nélson Rodrigues (Vestido de noiva, A falecida), Jorge Andrade (Vereda da salvação, A moratória).

REDAÇÃO

Dissertação: exposição, argumentação e conclusões a partir de tema que mobilize conhecimentos e opiniões.

Espera-se que o candidato demonstre o domínio dos recursos lingüísticos necessários para a composição de textos coerentes, construídos

em uma linguagem formal adequada à situação.

Entre os mencionados recursos lingüísticos, destacam-se:

- estrutura do texto dissertativo;

- estrutura do parágrafo e da frase - hierarquização e correlação das informações apresentadas;

- elementos e processos de correlação entre palavras, orações e períodos;

- convenções normativas quanto a acentuação e grafia de palavras;

- vocabulário - adequação e pertinência lexical na exposição de idéias.

Na correção da redação, serão examinados três aspectos que os avaliadores considerarão, tanto quanto possível, separadamente. A cada um deles podem ser atribuídos 0, 1, 2, 3 ou 4 pontos.

Tema e desenvolvimento

Considera-se aqui, por um lado, se o texto elaborado pelo candidato está adequado ao tema proposto e se, por outro lado, configura-se como uma dissertação em prosa. A fuga completa ao tema proposto ou a não-observância do gênero exigido serão tomadas como pressupostos óbvios para que a prova não seja objeto de correção em qualquer outro de seus aspectos, atribuindo-se-lhe nota zero.

No que diz respeito ao desenvolvimento, verificar-se-á a pertinência da elaboração do tema, considerando-se também a capacidade crítica e argumentativa, bem como a maturidade e a inventividade que no texto se manifestam.

Estrutura

Consideram-se aqui, conjuntamente, os aspectos de coesão lingüística (nas frases, períodos e parágrafos) e de coerência das idéias.

Maior ou menor coerência reflete a capacidade (ou incapacidade) do candidato para relacionar os argumentos e organizá-los de forma a deles extrair conclusões apropriadas. Serão considerados aspectos negativos a presença de contradições entre frases ou parágrafos, a falta de encadeamento argumentativo, a circularidade ou quebra de progressão discursiva, a falta de conclusão ou a presença de conclusões não decorrentes do que foi previamente exposto.

Aspectos negativos relativos à coesão são, entre outros, o estabelecimento de relações semânticas impróprias entre palavras e o uso inadequado de conectivos.

Expressão

Consideram-se aqui o domínio da língua formal e a fluência do discurso. Serão examinados pontos como a propriedade e a abrangência do vocabulário empregado, além de ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação. A ocorrência de clichês e frases feitas, o uso inadequado de vocábulos são aspectos, em princípio, negativos.