Vinícius de Moraes

Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes (1913-1980), cronista, diplomata, teatrólogo e roteirista carioca, destacou-se foi mesmo na poesia e na música. Apesar de um começo de preocupações mais místicas, mas depois foi expressando sua inquietação com mistério e um fino humor, valorizando a naturalidade do amor humano e a beleza das relações amorosas.

Alguns de seus versos também tinham certo cunho político, o que geralmente lhe deixava em maus lençóis frente a seus colegas de diplomacia. Apesar de grande poeta, é na música que Vinícius de Moraes realmente se destaca e é imortalizado. Pertence à Segunda fase do Modernismo.

Cecília Meireles

Cecília Meireles (1901-1964) nasceu e morreu no RJ. Criada pela avó (os pais morreram quando ela era apenas um bebê), sempre foi uma aluna brilhante. Cecília iniciou parnasiana, fez duas obras mais simbolistas e depois ligou-se ao Modernismo, mas nunca realmente pertenceu totalmente a uma escola. Escreveu uma obra extremamente intimista e foi reconhecida largamente: foi a primeira mulher a ganhar um prêmio da ABL, ensinou na UERJ e na universidade do Texas. Além de poetisa, Cecília também foi teatróloga e tradutora.

Jorge de Lima

Jorge Mateus de Lima (1895-1953) foi, além de médico, político, pedagogo, professor, ensaísta, crítico, romancista, pintor e escultor um grande poeta modernista. Nascido no interior do estado de Alagoas, Jorge de Lima foi um poeta precoce. Sua primeira poesia publicada foi aos 13 anos; a fama chegou três anos mais tarde. Cursou Medicina em Salvador e no Rio de Janeiro, mas exerceu-a em Maceió, onde foi eleito deputado estadual.

Introduziu métodos de sanitarização em Alagoas como diretor da saúde pública e em 1930 mudou-se para o Rio de Janeiro por causa da situação política, onde foi vereador e professor e acabou por morrer. Jorge de Lima aderiu ao Modernismo apenas em 1925, mas pertence à chamada geração de 30. Publicou vários livros de poesia e prosa; até mesmo um de fotomontagens.

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto é considerado o maior poeta vivo brasileiro. Diplomata, este pernambucano nascido em 1920 recusa o sentimentalismo e é por alguns considerado um "poeta-engenheiro", pois constrói suas poesias de grande apelo visual. Em 1945 entrou para o Itamarati (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) e viajou o mundo como diplomata.

Em 1968 entrou na Academia Brasileira de Letras. Apesar de ter começado surrealista em seu primeiro livro, o segundo apresentava influência construtivista. Mais tarde publicou Morte e Vida Severina, que assim como outros poemas, mostra a realidade do NE brasileiro. João Cabral de Melo Neto é considerado o maior poeta da autodenominada "Geração de 45", apesar de ter participado pouco tempo dela.

"E somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual,

mesma morte severina" Morte e Vida Severina

" Lá ficaria toda a vida

com a geometria e a aritmética.

Sua vida poderia ser

muito mais útil do que era.

O imperador dos brasileiros

os escritores muito preza.

Tardou o indulto mas chegou.

É mais seguro vir por terra.

(Aqui, descarga de espingardas.)" Auto do Frade

Manuel Bandeira

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968) é uma das figuras mais importantes da poesia brasileira e um dos iniciadores do Modernismo. Apesar de ser um poeta fabuloso, também foi ensaísta, cronista e tradutor. O próprio autor define sua poesia como a do "gosto humilde da tristeza". Grandes músicos de seu tempo como Heitor Villa-Lobos musicaram poemas seus. No final da história, Bandeira transcendeu o Modernismo.

Já novo gostava da leitura, mas teve que abandonar a faculdade por ter contraído tuberculose. Passou doente toda vida, apesar das várias estadas em clínicas brasileiras e até na Suíça. Se ligou aos modernistas em 1921 e participou da Semana. Em 1940 tornou-se membro da ABL. Apesar de um começo parnasiano, Bandeira já produzia inovações em 1919. No livro deste ano estava contido poema Os Sapos, uma irreverente crítica aos parnasianos que foi usada como lema dos modernistas da primeira fase após ser lida por Ronald de Carvalho. As várias poesias subseqüentes tem metrificação nula e seus livros são ortodoxamente modernistas. Sua poesia mais famosa é, sem dúvida alguma, Vou me embora para Pasárgada.

Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz nasceu em 1910 e foi a primeira mulher eleita para a ABL (em 1977). Poetisa, cronista e teatróloga, sobressai-se como romancista e regionalista. Rachel de Queiroz tem em sua ficção a preocupação de mostrar tanto os problemas sócio-políticos do NE do Brasil como também fazer análises psicológicas. Sucesso de crítica e público, entre suas obras mais famosas encontram-se O Quinze, Caminhos de Pedra, Três Marias e Memorial de Maria Moura.

José Lins do Rego

José Lins do rego (1901-1957) é um dos mais importantes escritores regionalistas do Brasil. Seus romances, com altos tons autobiográficos, tratam muitas vezes do ciclo da cana-de-açúcar e dos explorados por essa. José Lins do Rego era paraibano e nasceu ele mesmo num engenho. Estudou Direito no Recife e formou-se em 1923. Dois anos depois tornou-se promotor em MG e no ano seguinte mudou-se para Maceió, onde começou a escrever seus primeiros livros.

Em 35 mudou-se para o RJ, onde começou a escrever para jornais e revistas. Não trabalhou em outra cidade desta data até sua morte. As obras de José Lins do Rego são altamente pessoais e ele é considerado o iniciador do neo-realismo (escola literária moderna que se propõe a retratar o real mais objetivamente). Sua linguagem é mais descontraída e seus livros são populares não só com o público mas com a crítica. Sua primeira obra foi Menino do Engenho (sua obra-prima). Além de vários ensaios subseqüentes, escreveu também ensaios, livros de viagens, um livro infantil e outro de memórias.

Murilo Mendes

Murilo Monteiro Mendes (1901-1975) foi um dos mais importantes poetas da Segunda fase do Modernismo. Fez sua obra em diversos períodos com diversas características, chegando até mesmo a produzir poesias alinhadas aos processos de vanguarda dos anos 70. Murilo Mendes nasceu e estudou em juiz de Fora até a faculdade de Farmácia. Mudou-se então para Niterói. No Rio e em Niterói iniciou sua carreira, contribuindo para revistas enquanto funcionário público.

Suas primeiras obras são tipicamente modernistas no começo, mas quando converteu-se ao catolicismo sua obra mudou. Nessa fase já tinha influências cubistas. Por toda a vida seu estilo mudou muito, passando da irreverência inicial ao rigor e a suas características vanguardistas.

Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa (1908-1967) foi um dos maiores prosistas do século XX. De um estilo único e pessoal de linguagem e narrativa, Guimarães Rosa sempre usou a realidade como fonte de inspiração sem descrevê-la documentalmente. Mineiro, o médico e diplomata Guimarães Rosa ganhou prêmios como poeta e contista já no início da carreira, na década de 30.

Como servia na Alemanha em 1942, foi preso durante a guerra diplomática. A partir do fim do Estado Novo Guimarães Rosa vai ganhando força e qualidade como escritor. Em 1956 publica sua obra-prima, Grande Sertão: Veredas. Dois anos depois tornou-se ministro e em 1963 foi eleito para a ABL. Foi adiando sua posse durante quatro anos e acabou por falecer três dias após empossado.

Guimarães Rosa começou a partir do Regionalismo mineiro, mas sua obra partiu para o universal, experimental e fantástico (nos dois sentidos), com grande profundidade psicológica. Guimarães Rosa pode ser considerado um dos melhores, se não melhor prosista da chamada geração de 45, tendo sido excelente não apenas em seus romances, como também em seus contos.

Oswald de Andrade

José Oswald de Andrade (1890-1853) foi poeta, romancista, ensaísta e teatrólogo. Figura de muito destaque no Modernismo Brasileiro, ele trouxe de sua viagem a Europa o Futurismo. Formado em Direito, Oswald era um playboy extravagante: usa luvas xadrez e tinha um Cadillac verde apenas porque este tinha cinzeiro, para citar apenas algumas de suas muitas extravagâncias.

Amigo de Mário de Andrade, era seu oposto: milionário, extrovertido, mulherengo (casou-se 5 vezes, as mais célebres sendo as duas primeiras esposas: Tarsila do Amaral e Patrícia "Pagu" Galvão). Foi um dos principais artistas da Semana de Arte Moderna e lançou o Movimento Pau-Brasil e a Antropofagia, corrente que pretendia devorar a cultura européia e brasileira da época e criar uma verdadeira cultura brasileira. Fazendeiro de café, perdeu tudo e foi à falência em 1929 com o crash da Bolsa de Valores.

Militante esquerdista, passou a divulgar o Comunismo junto com Pagu em 1931, mas desligou-se do Partido em 1945. Sua obra é marcada pela irreverência, pelo coloquialismo, pelo nacionalismo e pela crítica. Morreu sofrendo dificuldades de saúde e financeiras, mas sem perder o contato com os artistas da época. entre seus romance encontram-se Memórias Sentimentais de João Miramar, Os Condenados e Serafim Ponte Grande.

"Napoleão era um grande guerreiro que Maria da Glória conheceu e Pernambuco disse que o dia mais feliz da vida dele foi o dia em que fiz minha primeira comunhão." Memórias Sentimentais de João Miramar

"Eu pudera quem sabe prever o armistício com músicas jazzbandando pelas ruas aliadas e o esmigalhamento alemão por Foch e Poincaré, mas nunca auscultara minha precoce viuvez e a chegada de Antuérpia num cargoboat, do meu cunhado José Elesbão da Cunha com barbas. " Memórias Sentimentais de João Miramar

Mário de Andrade

Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945) foi um dos organizadores do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922. Começou escrevendo críticas de arte e poesia (ainda parnasiana) com o pseudônimo de Mário Sobral. Rompeu com o Parnasianismo e o passado com Paulicéia Desvairada e a Semana, da qual participou ativamente.

Mário de Andrade era um escritor completo: além de poesia, também escreveu romances (Amar, Verbo Intransitivo e Macunaíma), contos (Primeiro Andar, Belazarte e Contos Novos) e ensaios (A escrava que não é Isaura, Música do Brasil, O movimento modernista e O empalhador de passarinhos). Lutou sempre por uma literatura brasileira e com temas brasileiros. Ironicamente, Mário era anti-romântico e este também era o objetivo do romântico José de Alencar. Mário de Andrade era um homem tímido e, segundo Rachel de Queiroz, um homossexual reprimido. Num PS, esta figura é de Mário mais velho, mas ele nunca teve muito cabelo.

"O rosto se apoiou nos cabelos dele. Os lábios quase que, é natural, sim: tocaram na orelha dele. Tocaram por acaso, quase de posição. Os seios pousaram sobre um ombro largo, musculoso, agora impassível escutando. Chuvarada de ouro sobre a abandonada barca de Dânae… Carlos… eta arroubo interior, medo? vergonha? aterrorizado! indizível doçura… Carlos que nem pedra." Amar, Verbo Intransitivo

"… de amor!… Ela abriu os olhos da vida pra aquele. Ininteligente. Sarambé. Batido, sem mesmo vivacidade interior. Decididamente Luís lhe desagradava, e Fräulein não sentiu nenhuma vontade de continuar. Porém como se ele apenas esperasse um gesto dela para recomeçar o aprendizado, Fräulein molemente buscou entre as mãos dele a fita de serpentina. O gesto preparado aproximou os corpos. Ondulação macia de auto é pretexto que amante não deve perder. Descansando mais pesadamente o ombro no peito dele, Fräuilein se deixou amparar. Ensinava assim o mais doce, mais suaves dos gestos dos proteção." Amar, Verbo Intransitivo

"Ai! que preguiça!…" Macunaíma

"Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são." Macunaíma

Por: Augus Sobre Vestibular