Paralelamente a essas iniciativas, de grande importância para o desenvolvimento da Física Nuclear, outro grande centro de pesquisas desenvolvia trabalhos que eram fundamentais para o conjunto de acontecimentos que se sucederam. Eu me refiro ao Lawrence Radiation Laboratory, da Universidade da Califórnia.

Com os seus dois cíclotrons passou a estudar a possibilidade de criar elementos Transuranianos. O primeiro destes elementos foi o Neptunium, com número atômico 93 e que foi decobertoEdwin McMillan e Philip H. Abelson, em 1940.

Alguns anos mais tarde McMillan assim descrevia a sua descoberta:

"Em resumo, bombardeei Urânio 238 com nêutrons para ver o alcance dos fragmentos de fissão. Quando determinei a radioatividade na placa de Urânio, encontrei uma atividade inesperada.

A interpretação mais simples desta observação foi que a nova atividade se produzia pela desintegração do Urânio 239 formado no alvo pela captura de um nêutron.

O novo produto devia ser, portanto, um isótopo do elemento 93, ao qual posteriormente dei o nome de netúnio. Mas necessitamos de mais de um ano de trabalho antes de se concluir a prova final em experiências conduzidas por mim e pelo Dr. Philip H. Abelson".

Logo após a descoberta do netúnio, uma nova equipe foi formada para continuar as pesquisa de elementos com número atômico superior ao do urânio. Este grupo constituído por McMillan, Joseph Kennedy, Arthur Wahl e Glenn Seaborg, descobriu o elemento fissionável e transuraniano, o plutônio. Devemos destacar a importante participação de Glenn Seaborg na descoberta de vários elementos transuranianos.

Theodore Glenn Seaborg nasce em 1912 em Michigan. Foi educado na Universidade da Califórnia, tendo se especializado em Química na área Nuclear.

Começou a trabalhar em Química na Universidade em 1939, tornando-se professor assistente em 1941 e titular em 1945. Foi Diretor Associado do Lawrence Berkeley Laboratory. Recebeu o Prêmio Nobel em Química em 1951, juntamente com o físico americano Edwin McMillan.

Seaborg se destacou na descoberta e caracterização de muitos elementos transuraniano, tais como: plutônio, amerício, cúrio, berkelio, califórnio, einstenium, férmio, mendelévio e nobélio.

Sobre a descoberta do plutônio temos a seguinte declaração de Seaborg:

"Estávamos procurando o elemento de número atômico 94, e no dia 14 de dezembro de 1940 fizemos o bombardeio inicial de óxido de urânio depositado sobre uma placa de cobre usando o cíclotron de 60 polegadas de Berkeley.

Nosso plano era investigar a existência de um isótopo do elemento 94 que apresentasse uma meia-vida relativamente curta e que deveria produzir uma emissão rápida de partículas alfa.

Nós usamos um feixe de dêuterons de 16 MeV do cíclotron, esperando encontrar uma fonte detectável de partículas alfa para provar a existência do elemento 94. Passamos o material através de um tratamento químico que isolaria o elemento 93, esperando que este se transformaria no elemento 94.

Encontramos a radiatividade de um isótopo que emitia partículas alfa e que aparentemente deveria ser o elemento 94. Finalmente, a separação do elemento 94 requeria um tratamento químico para isolá-lo de todos os demais, e Arthur Wahl conseguiu este objetivo em fevereiro de 1941.

Em março, Kennedy, Wahl e eu, trabalhando com Emilio Segrè criamos e identificamos o isótopo fissionável, o plutônio 239. Foi para nós evidente que este elemento altamente fissionável, além de sua utilização como explosivo nuclear e como fonte de combustível nuclear, seria grandemente valioso nas futuras investigações de elementos transuranianos".