Tio Terez, a quem Miguilim amava muito, tem de ir embora. O pai desconfiava de uma relação entre a mulher e seu irmão. O menino fica dividido entre o sentimento de lealdade ao pai e a amizade pelo tio, que lhe mostrava novos mundos. Sofre por não poder ajudar tio Terez a se comunicar com sua mãe e por ter de se separar dele. Sofre por muita coisa: medo de morrer, medo de crescer.

Mas a dor maior vem com a morte de Dito, irmãozinho querido, sábio, cúmplice e companheiro, único ser que realmente o compreendia. Essa dor agrava os outros medos infantis: das almas, dos lobisomens, de ter errado ao devolver ao tio Terez o bilhete que devia entregar à sua mãe Nhanina.

Tudo parece uma tristeza sem remédio. Como crescera, seu pai exigia que trabalhasse; Liovaldo e Patori, filho do vaqueiro Deográcias, faziam maldades com ele. Depois de uma surra do pai, vive a experiência do ódio. Jura matá-lo. Odeia a quase todos da casa, menos Mãitina e Rosa, que o consolava pela morte de Dito.

Quando tudo parece irremediável e Miguilim adoece, dolorido de viver, uma tragédia familiar, paradoxalmente, muda o rumo de sua vida. Seu pai assassina o vaqueiro Luisaltino e, em seguida, se suicida de remorso.

Tio Terez volta e casa com Nhanina. Miguilim, quase curado, está pronto para outra travessia: a redescoberta do Mutum e a descoberta de um outro mundo. O Dr. José Lourenço, médico que viera em visita, pressentiu a miopia do menino e cedeu-lhe os óculos. “Miguilim olhou.

Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”.

O Dr. José Lourenço convida Miguilim a ir para a cidade, cuidar da vista e estudar. O menino pede os óculos para ver outra vez o Mutum. Sabe agora que o Mutum é bonito. Vão todos à despedida de Miguilim, que deixa para trás a infância, a ingenuidade e o mundo mágico em que vivera. Começa uma outra  travessia.

Uma Estória de Amor revela uma grande diferença em relação à primeira narrativa, a começar pela expressão do narrador, sério, contido, ao contrário do narrador da estória de Miguilim, cuja voz, carregada de emoção e diminutivos, se mistura à do grupo familiar e se confunde com a fala infantil do protagonista.

É um narrador mais distanciado que vai revelando, como repórter, o espaço físico e os traços das personagens. Manuelzão (velho vaqueiro), solteirão, sentindo chegar o peso da idade e o temor da morte, faz construir uma capela e, para inaugurá-la, teve a idéia de fazer uma festa que duraria três dias e que começaria com a primeira missa a ser celebrada ali.

Enquanto a festa ocorre e todos se divertem, lembranças e conversas informam o leitor das outras personagens envolvidas no acontecimento. Manuelzão é uma personagem de ficção, inspirada em uma pessoa real, histórica, o mineiro Manuel Nardi, ainda há pouco vivo e de quem Guimarães Rosa ouviu muitas histórias que transportou para a sua obra.

Por: Curso Objetivo