Algumas marcas da “excentricidade” devem ser assinaladas: – O narrador é neutro e mantém-se eqüidistante, como um observador curioso, divertido e, algumas vezes, intrometido. – Não há a tensão bem X mal, ninguém é herói, nem vilão; é um “romance sem culpa”, sem dramas morais. – As camadas populares são privilegiadas e, apesar de seus apertos e infortúnios, ninguém trabalha.

É uma malandragem meio idílica, que escamoteia as diferenças sociais extremas. São omitidos tanto o trabalho escravo, ainda sustentáculo da produção, como a elite cortesã e burguesa.

– O tom humorístico substitui o sentimentalismo e o ufanismo; o realismo ingênuo, espontâneo (não-programático), registra cenas vulgares, nada poéticas.

– A linguagem é coerente com o seu objetivo: norma culta, em estilo jornalístico, prosaico, sem afetações. Nos diálogos, incorpora, algumas vezes, o registro coloquial do falar da época, eivado de lusitanismos, solecismos e outras “anomalias”.

É um anti-herói, malandro, oportunista, que se aproxima do pícaro espanhol pela bastardia, pela ausência de uma linha “ética” de conduta, mas, diferentemente do pícaro espanhol, não é ele, Leonardo, quem relata suas peripécias. Além disso, não chega a ser um “excluído”: nunca trabalhou, teve sempre o amparo do Barbeiro, da Comadre e de outros e, por fim, também se arranja, e muito bem, com status” de sargento e cinco heranças no bolso. É um genuíno malandro que deu certo.

Por: Curso Objetivo