Quando estamos a apenas um mês ou dois do vestibular, costumamos pensar no tempo perdido com o lazer, as visitas ao shopping center, o namoro, as navegadas pela Internet, as idas ao cinema com os amigos, etc. O relógio é inclemente e vai dilapidando sorrateira e continuamente as reservas de horas restantes para as provas. Não se consegue impedir o avanço impiedoso dos ponteiros.

Observei que 50% dos vestibulandos deixam-se levar pelo sentimento de "urgência urgentíssima" e reforçam a carga de estudos: passam a estudar mais de doze horas por dia, com a consciência pesada por ter perdido tanto tempo nos meses anteriores. Muitas vezes, os jovens são esforçados e já estudaram duro, mas eles não enxergam isso: depreciam-se, julgando-se "vagais". O desespero é a regra, pois a tempestade se aproxima...

Esquecem-se de que são apenas humanos e que a vida é muito mais do que apenas enfiar o nariz no meio de livros e apostilas. Muitos tomam toneladas de pó de guaraná, galões de café e de refrigerantes cafeinados no desespero de vencer a concorrência e de recuperar o tempo perdido. Passam madrugadas sem dormir e no momento do vestibular estão abatidos, com olheiras, cara de ressaca e sentindo o coração batendo na garganta.

Tentam "detonar" e podem acabar sendo "detonados" pela neura do vestibular. Há um sentimento estressante de "ou vai ou racha!" E muitos acabam se arrebentando, vitimados por um desgaste nervoso. Outros ficam tão dominados pelo pânico e pela sensação de inferioridade que amarelam e acabam faltando aos exames, apesar de, efetivamente, ter estudado muito mais do que a média da concorrência e possuir uma boa capacidade de raciocínio. É como já falei: tentam "detonar" e podem acabar sendo "detonados" pela neura do vestibular.

Mais pode significar menos. 50% dos vestibulandos vão com tanta sede ao pote que põem tudo a perder. Milhares de horas de estudo e de sacrifício são perdidas porque houve uma atitude mental pouco favorável ou, pior, um sério descontrole emocional. O jovem até que domina legal a matéria, mas fracassa em decorrência do medo, de assumir erroneamente que os concorrentes são muito melhores, da falta de controle do tempo de prova e daqueles famosos "brancos" tão comuns no vestibular...

Enquanto isso, outros concorrentes, que não estudaram tanto e têm menos capacidade, entram numa excelente faculdade pública apenas porque souberam dominar os nervos, enfrentaram os exames numa boa, tiveram uma atitude mental mental favorável, controlaram legal o tempo de prova e souberam evitar os "brancos" com muita elegância. No vestibular e na vida em geral, às vezes, mais vale um fusquinha bem conduzido do que um Rolls-Royce dirigido como se fosse um foguete desgovernado. :0)

Desses 50% já comentados, existem também os que se matam de estudar, mas sem conhecer a maneira pela qual a matéria será cobrada. Fracassam por desconhecer as manias dos examinadores. Existem tópicos que têm mais chance de cair do que outros. Existem tendências que podem ser exploradas pelos vestibulandos "antenados".

Eles têm acesso a uma série de informações técnicas valiosas de cada uma das oito matérias, o que aumenta as probabilidades de acerto e, por conseqüência, de entrar numa ótima faculdade pública gratuita. Os meus leitores desenvolvem uma atitude mental campeã, usam as emoções a seu favor, driblam os "brancos", controlam legal o tempo e conseguem fazer muito mais com muito menos, sem desespero e sem sofrimento.

Outros 30% pensam: "agora não dá mais tempo para estudar, vou-me matar para quê? Quero mais é aproveitar a vida e vou cair na gandaia!" Os livros e apostilas ficam tomando poeira na estante, a TV fica ligada quase que o tempo todo. O rádio fica com o volume tão forte que faz a casa parecer uma discoteca, a Internet é acessada várias horas por dia para ver besteiras sem importância, etc. Maior moleza só existe mesmo sentando num pudim! :0) hehehe Ou, quiçá, tomando sopa de minhoca... :0) hehehe

O jovem faz o que os americanos chamam de um "acting out". Ele ou ela não consegue encarar o vestibular de frente porque, no fundo, quer passar, mas estudar vira um sofrimento porque vem acompanhado de uma conotação de dever ou obrigação. E para nós, latinos, nada mais chato e sofrido do que ser obrigado a fazer algo muito importante... Sei disso porque sofro do mesmo mal. Meus genes são ítalo-portugueses e é difícil remar contra a maré da hereditariedade.

Mas, tento, sempre que me é possível, aprender a gostar daquilo que é bom para mim. Uso, com grande sucesso, uma técnica chamada de auto-hipnose muito bem descrita no meu livro. Podemos programar nosso cérebro para passar no vestibular da mesma maneira que programamos um computador ou uma máquina de lavar roupa para desempenhar uma certa tarefa. Uma tarefa "árdua" pode tornar-se simpática quando a dividimos em pequenas porções e quando enxergamos os seus aspectos positivos, que sempre existem. Podemos aprender a gostar daquilo que é bom para nós, inclusive do vestibular. Basta haver uma mente aberta.

Muitas vezes, na vida, somos obrigados a fazer coisas desagradáveis para garantir um futuro agradável e pleno de realizações. É a "noblesse oblige" dos franceses e a "call of the duty" dos norte-americanos. É o nosso "nobre dever", muito comum nos meios profissionais: é o médico que se vê na contingência de atender um paciente tuberculoso que poderá infectá-lo; é o comerciante que é obrigado a agüentar, com um sorriso e uma dose de boa vontade, um cliente rabugento que vem trocar a mercadoria a todo instante, justamente na hora em que a loja está lotada de fregueses promissores; é o dentista que tem de trabalhar na boca de um sujeito com um "perfumado" bafão de onça...

Esses 30% de adolescentes têm de suportar pressões lancinantes que muitos adultos não agüentariam de jeito nenhum. Lamentavelmente, alguns afundam-se nas drogas como uma maneira suicida, infantil e tola de refugiar-se das dificuldades. Há os que se viciam nas anfetaminas e no crack, acreditando irracionalmente que estas porcarias vão dar um "pique" ou um "barato" para vencer a fadiga e aumentar o rendimento do estudo.

Mas notei que existem 20% dos jovens, mais amadurecidos, que aumentam o ritmo de estudos numa boa, sem se matar. Eles dormem um pouco menos, lêem a matéria com mais afinco, organizam melhor seus horários, continuam a sair de fim-de-semana, namorar, passear, etc, mas sem "aboborar" ou "borboletear" muito. Fazem o melhor que podem, passam longe das drogas, encaram o vestibular como um desafio gostoso e como um passaporte para um futuro melhor. São esses que geralmente passam nos vestibulares mais disputados!

Alguns desses jovens usam a fé em Deus como uma turbina a jato para estimulá-los a vencer. Têm um otimismo saudável, acreditam que a vida é linda e deve ser vivida plenamente, são disciplinados. Possuem um bom relacionamento com os pais, originam-se de famílias bem constituídas, nas quais predomina um ambiente de carinho, amor e compreensão. São como navios que têm um porto seguro onde atracar para fugir das tempestades de alto-mar, ou seja, das procelas da vida.

Após todas essas preliminares, vamos às recomendações práticas para recuperar o tempo perdido e encarar a iminência do vestibular numa boa:

1) Elimine todo e qualquer sentimento de revolta de sua mente. A raiva é um sentimento altamente dispersivo e negativo que diminui o rendimento do estudo;

2) Acorde uma ou duas horas mais cedo. Durma pelo menos sete horas por noite;

3) Estabeleça horários flexíveis para estudar, comer, tomar banho, etc, e procure seguir, com muita calma, mais ou menos aquilo que foi planejado para o dia de hoje, sem grandes dispersões, mas também numa boa, sem muita pressa;

4) Desenvolva uma atitude mental favorável;

5) Peça a compreensão de seus pais, irmãos, amigos e da namorada ou namorado. Explique que você tem de reduzir os contatos sociais para ler mais e poupar-se para o vestibular;

6) Faça apenas o melhor que puder;

7) Ninguém é de ferro ou absoluto a ponto de dispensar algumas horas de lazer. Sempre descanse depois de uma boa "rachada" nos livros e apostilas;

8) Cultive o lazer útil: em vez de assistir à programação de baixo nível dos canais comerciais, leia jornais e revistas sem compromisso;

9) Semana do "saco cheio": viaje para o campo ou para o litoral, por alguns dias, para recarregar as baterias algumas semanas antes do vestibular. Dê-se esse presente para compensar tudo o que já estudou e volte com a corda toda para aprender assuntos que sempre caem no vestibular mas que você ainda não domina. Importante: viaje SEM levar material para estudar;

10) Pratique, durante uma hora por dia, exercícios leves porque a atividade física moderada libera substâncias naturais (endorfinas) que relaxam o sistema nervoso central e aumentam a capacidade de concentração;

11) Se sua mãe ou sua avó costumam fazer aquelas simpatias ou rezas bravas, aceite-as de bom grado. O vestibular é muito concorrido e toda ajuda de Deus sempre é bem-vinda! Não vale só pela reza em si, mas também pela providencial troca de carinho e de bons fluidos entre você e os membros de sua família;

12) Resista ao canto da sereia dos tóxicos. Sei que corro o risco de ser visto como um careta, mas um cérebro limpo e livre de drogas maximiza suas chances de entrar naquela superfaculdade pública gratuita com cinqüenta pessoas talentosas matando-se por uma única vaga;

13) Seja feliz e cultive a felicidade em sua vida...