Esforço e dedicação somados a uma boa base escolar. Esses são os

ingredientes fundamentais para a receita da aprovação no vestibular

chegar no ponto certo. Sem eles, não há cursinho preparatório nem

milagre suficiente para garantir uma vaga no ensino superior.

No

concurso mais disputado do estado, o da Universidade Federal de Minas

Gerais (UFMG), um verdadeiro funil selecionou, no fim de semana,

milhares de concorrentes para a segunda etapa. Especialistas e

estudantes são unânimes: não adianta contar com a sorte nem esperar

aprender o conteúdo do colégio nos estabelecimentos especializados na

preparação para os exames. Os conhecimentos acumulados ao longo de três

anos no nível médio são determinantes para responder, com sucesso, as

questões abertas.

A psicopedagoga e professora Geralda Maria

Hallais França Ferreira é enfática: passar no vestibular é uma equação

que só se fecha com disciplina e hábito de estudo. “Na primeira etapa,

o cursinho dá umas dicas pontuais e produtivas para o aluno não se

estressar no momento da prova e pegar macetes para analisar cada tipo

de questão. Na segunda, há professores mais treinados, que acompanham a

tendência dos vestibulares e das mudanças de avaliação. Mas só o

preparatório não põe ninguém na universidade”, afirma.

Diretor

de ensino de um pré-vestibular da capital, Roberto Régis, o Betão,

ressalta a importância da base escolar. Segundo ele, sem ela, o aluno

precisa de pelo menos três anos para entrar nos eixos: o primeiro para

adquirir a base, o segundo para participar da primeira etapa e o

terceiro para passar no vestibular das principais instituições do

estado. “O aluno com boa formação capta tudo com facilidade. Quem quer

tira bom proveito, quem não quer freqüenta as aulas para passear.

Esperar milagre não adianta, principalmente na UFMG, onde a

concorrência é maior”, relata.

Reforço

O

estudante Enzo Rafaello Risi dos Santos, de 21 anos, é um exemplo de

quem precisou correr atrás de conteúdo. O primeiro lugar geral da

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) no

primeiro semestre deste ano concluiu o terceiro ano em 2005 e, desde

então, tenta uma vaga para medicina na UFMG. Ele considera fraca a base

que teve nos colégios nos quais estudou e, quando começou a fazer

cursinho, percebeu que “o buraco era mais embaixo”, principalmente

depois de ser reprovado na segunda etapa da Universidade Federal de

Ouro Preto (Ufop).

“Cursinho não passa ninguém, mas ajuda

bastante, se houver uma boa estrutura, com meios apropriados para dar

informação e material, e se há preocupação com o desempenho do aluno.

Assim, mesmo se há deficiência de conteúdo, é possível aprender alguma

coisa. Mas nos preparatórios de ponta, não tem jeito. Se você não sabe,

não adianta entrar, pois os professores não ensinam, eles revisam as

matérias”, diz. Para Enzo, cursinho que não cobra não é bom. “A maioria

das pessoas que se matricula não está preparada, por isso é preciso

estudar muito e ter atenção para a prova, principalmente nas áreas

específicas, pois as escolas não são milagreiras.”

A

psicopedagoga Isabela Simão é mais uma profissional a reconhecer que o

cursinho pode ajudar se o aluno tem base sólida, senão há efeito

contrário: a angústia aumenta, pois a abordagem é voltada para a

produtividade. Logo, quem não tem a teoria bem assimilada, fica

perdido. “Se olharmos pelo campo psíquico, é uma forma de isentar o

sujeito da responsabilidade maior, pois os alunos vão ao cursinho e

consideram a tarefa cumprida.

Eles se vêem dentro de um processo de

formatação, no qual todos devem ser postos no mesmo nível, sem

particularidade de ensino”, diz. Para Isabela, a forma mais viável de

se preparar para encarar a concorrência do vestibular é estudar em

colégios que oferecem o ensino médio integrado à preparação para o

concurso. “Livre de pressão e com tempo hábil para desenvolver

habilidades e conhecimentos, os adolescentes já saem na frente. Eles

têm três anos para entrar no clima, pois não é possível se preparar em

apenas um ano para entrar numa boa universidade”, adverte.

E foi

justamente pensando em sair na frente que o adolescente Renato Gomes

Campanati, de 18 anos, começou a estudar num colégios mais tradicionais

de Belo Horizonte, ainda no segundo ano do ensino médio, para encarar o

desafio de passar em medicina. Aulas e provas são, desde então,

voltadas para questões parecidas com as cobradas pela UFMG. “Acho minha

bagagem completa, não preciso de mais nada. Mas tudo isso também não

depende só do colégio, é preciso empenho e comprometimento com os

estudos.”

Também aluno do terceiro ano, André Amaral Ribeiro, de

18, candidato a engenharia química, optou pelo ensino médio integrado.

Duas vezes por semana ele tem aulas à noite, quando estuda as matérias

do terceiro ano e revisa as de períodos anteriores. Se classificado

para a segunda fase, pretende estudar a segunda etapa em um cursinho,

porque ganhou uma bolsa. Ele dá a fórmula do sucesso: Não adianta se

dedicar e dar tudo de si no fim, se não houve interesse antes.

“Construí a base que tenho ao longo de três anos. Para quem não fez

nada, não adianta querer aprender tudo no cursinho, pois isso não será

suficiente. Os pré-vestibulares podem ser bons depois do terceiro ano,

para a pessoa reforçar os estudos e não perder o ritmo. Mas é

importante ter em mente que ele não ensina, só revisa.”