Depois

do recesso escolar e das “férias forçadas” por causa da gripe A, as

aulas voltam com tudo a partir de hoje, a apenas um mês e meio do Enem

e a menos de três meses do vestibular da Federal.

No entanto, essa não

é a hora de apelar para rotinas malucas para tentar sair na frente dos

concorrentes. A repórter Marcela Campos conversou com três professores,

um psicólogo e uma nutricionista. Confira as dicas para bombar os

estudos – sempre com equilíbrio – e para evitar que o cansaço e a

ansiedade se tornem ameaças nessa reta final

1) Mantenha o ritmo

Continue a separar quatro ou cinco horas do seu dia apenas para os

estudos em casa, sejam eles complementares ou não a um curso

preparatório. O ideal é reservar aproximadamente 40 minutos para cada

disciplina, com pequenas pausas – de três a dez minutos – entre elas.

“Não é interessante estudar duas horas só de Matemática, por exemplo.

Cansa muito mais do que estudar duas horas de matérias diferentes”,

explica o professor João Pedro Alvarez Mateos, orientador de hábitos de

estudos do Curso Positivo. Para o professor de Química Daniel da Silva

Faria, do Curso Unificado, o ideal é que o aluno revise, em casa, os

conteúdos que viu na sala de aula naquele mesmo dia.

2) Estude todas as matérias

O vestibulando deve continuar estudando todas as disciplinas e não

apenas aquelas cobradas na segunda fase do processo seletivo da UFPR.

“A primeira fase não pode ser abandonada, porque a nota do vestibular é

cumulativa. Às vezes o candidato passa na primeira fase com pontuação

muito baixa e acaba não sendo aprovado”, enfatiza o professor Daniel,

do Unificado. A dica do professor Mateos, do Positivo, para o aluno que

deseja se preparar para a prova discursiva é resolver os exercícios

mais difíceis relacionados aos conteúdos da segunda fase. “Já com

relação às matérias que não são da segunda fase, deve-se estudar e

fazer os exercícios mais fáceis”, orienta.

3) Busque o silêncio

Procure um local bem iluminado, silencioso e arejado para estudar.

Afaste-se de tudo o que possa distrai-lo, como telefone, rádio ou

televisão. Se em casa não houver um ambiente propício à concentração,

vá a uma biblioteca ou mesmo ao cursinho – várias escolas oferecem

salas de estudo. Outra opção é estudar em grupo. “A troca de

informações entre os membros do grupo permite completar dados, resolver

questões e aprimorar a comunicação”, afirma o diretor do Curso

Expoente, Renaldo Franque. Para que a estratégia dê bons resultados,

ressalta, é necessário reunir alunos com facilidade de entrosamento.

4) Acompanhe as notícias

Como os vestibulares normalmente incluem questões sobre assuntos da

atualidade, é importante manter-se informado. Mateos recomenda a

leitura de pelo menos uma reportagem por dia. Outra dica é intercalar

diferentes jornais e revistas, para ter acesso a opiniões e enfoques

distintos. Já para o professor Daniel, do Unificado, o aluno pode ler,

todos os dias, de três a quatro matérias publicadas em um jornal. “Ele

pode pegar a capa do jornal e escolher matérias interessantes de

política, educação, saúde”, afirma.

5) Reserve um dia para o descanso

Segundo o coordenador do curso de Psicologia da Universidade Tuiuti

do Paraná (UTP), Raphael Di Lascio, o excesso de estudos pode provocar

uma estafa. “O vestibulando pode ter dor de cabeça, dor no corpo,

diarreia, mudanças de apetite e até problemas cardíacos”, alerta. “O

vestibulando tem de estudar cinco horas por dia, fora as aulas. Isso dá

11 horas diárias de trabalho, de segunda a sábado, ou 66 horas por

semana. Um trabalhador permanece em média 44 horas semanais no serviço

e tem pelo menos um dia inteiro de folga por semana. O patrão paga para

ele descansar, porque sabe que a produção pode cair”, compara Mateos,

do Positivo.

6) Faça atividades físicas

Os exercícios físicos são importantes para diminuir a ansiedade e o

nervosismo, pois estimulam a produção de serotonina, neurotransmissor

que provoca sensação de bem-estar. “O ideal é que o estudante faça um

atividade para descarregar a energia negativa. Pode fazer musculação,

andar de patins, alguma coisa que supra o corpo com sensações

prazerosas e faça com que ele tenha uma predisposição mais positiva

frente à vida”, afirma a psicóloga Mariita Bertassoni da Silva. O

professor Daniel, do Unificado, recomenda a prática de exercícios

físicos durante uma hora, pelo menos três vezes por semana.

7) Alimente-se bem

Para não perder tempo, há vestibulandos que comem depressa demais,

pulam refeições ou as trocam por lanches gordurosos. O problema é que

esse tipo de alimentação prejudica o desempenho nos estudos. “Esses

estudantes comem rápido e, consequentemente, muito mais do que

precisam, pois o organismo não tem tempo de ativar o sistema de

saciedade. Toda a energia é canalizada para a digestão e eles têm mais

sonolência”, explica a nutricionista Juliana Trevilini. Ela acrescenta

que o consumo excessivo de café e refrigerantes à base de cola pode

causar irritação. “A dica é consumir até duas xícaras (de 70 ml) de

café por dia”. Segundo Juliana, o ideal é fazer as três principais

refeições do dia, além de um lanche leve no meio da manhã e outro à

tarde. “Quando são feitas várias refeições, como-se menos, porém

melhor. O organismo se torna mais eficiente porque não é

sobrecarregado”, afirma.

Aprendendo com os erros

Ler a teoria e só depois resolver os exercícios das disciplinas

vistas em sala de aula. Essa é uma das principais estratégias que os

vestibulandos Nicolas Micael Smalarz, 19 anos, e Dayra Liz Milleo Costa

Kwitko, 18 anos, adotarão até o dia da prova da Federal. Veteranos na

preparação para o vestibular, os dois já tiveram a chance de avaliar as

metodologias de estudo mais eficientes para cada um. “Ler a teoria é

essencial porque me dá o embasamento para resolver os exercícios”,

afirma Nicolas, que disputa pela terceira vez uma vaga no curso de

Arquitetura da Federal e atualmente cursa Design – Projeto de Produtos

na Universidade Positivo.

Candidata ao curso de Engenharia Civil, Dayra decidiu seguir este

ano uma rotina mais rigorosa de estudos. “Faço cursinho pela segunda

vez. No ano passado eu não tinha um método de estudos certo. Estudava

as matérias do dia, mas às vezes só via a teoria e às vezes só fazia os

exercícios. E descansava sexta, sábado e domingo. Este ano eu estou

vendo a teoria e fazendo os exercícios. Descanso só no sábado”, conta.

Das recomendações feitas por professores, nutricionistas e

psicólogos, Dayra só não segue uma. “Eu fazia academia, mas parei por

causa do vestibular”, confessa. Nicolas, por sua vez, diz que aprendeu

com o erro. “No ano passado eu jogava futebol com os amigos, mas a

minha consciência pesava e por isso deixei de lado. Mas aprendi e esse

ano passei a jogar tênis no domingo. É essencial manter a cabeça fria,

não viver só do vestibular”, conta.