Você por acaso teve dúvidas de que curso escolher na hora de fazer a inscrição do vestibular e assinalou mais de uma opção, como comunicação social e cinema ou uma combinação mais radical, tal qual engenharia e educação física? E agora que passou para os dois - ou mais - como fazer para eleger um deles?

Na dúvida, e pensando em ampliar a área de atuação mais para frente, muitos vestibulandos se lançam na empreitada de conciliar duas faculdades. Em outros casos, o ponto de interrogação pode não estar em que curso seguir, mas sim em que universidade se matricular, caso o candidato tenha tido a felicidade de passar para mais de uma pública.

É o caso de Eric Mayerhoff, aprovado para medicina em todas as públicas do Rio, e Leandro Escobar, que passou também para medicina na UFF e UFRJ. Na hora de fazer a escolha, fatores distintos pesaram na decisão dos candidatos.

- Os professores com quem conversei disseram que todas as públicas são boas, mas eu sempre quis a UFRJ. Quando me inscrevi em medicina, minha meta era ela, talvez por isso não tive tantas dúvidas para escolher, mas conheço muitas pessoas que tiveram - diz Eric.

- No meu caso, escolhi a UFRJ porque a UFF fica em Niterói, muito longe da minha casa - conta Leandro

Já quando a decisão envolve o curso e não a universidade, o imbróglio pode ser maior.

- Eu pensava em fazer alguma coisa na área de humanas, mas não sabia exatamente o quê. Acabei me inscrevendo em direito e psicologia - diz Marco Pereira Muniz, que fez vestibular em 2001 e afirma não ter passado por nenhum tipo de orientação vocacional no terceiro ano.

Marco acabou passando para as duas - direito na UFRJ e psicologia na Uerj - e como não sabia muito bem que carreira seguir, resolveu cursar as duas faculdades. Depois de um tempo, ele desistiu de direito e se dedicou exclusivamente à psicologia, mas não por muito tempo.

- Quando me aproximei do mercado de trabalho, percebi que não havia nenhuma área que eu gostasse e foi neste momento que voltei para faculdade de direito. Fiz as duas por mais um tempo e logo depois desisti de psicologia - conta Marco que hoje está no sétimo período de direito e se diz finalmente satisfeito.

Segundo Marco, quando se é jovem, é mais difícil saber se os seus interesses vão levar a um mercado de trabalho que realmente interesse.

Aprovado para direito na Uerj e relações internacionais na PUC-Rio, o vestibulando Rodrigo Cittadino também optou por conciliar as duas faculdades, mas ao contrário de Marco, ele sabe bem a carreira que vai seguir.

- Sempre quis RI (relações internacionais) e a faculdade de direito será apenas um complemento para a minha formação, já que pretendo fazer prova para diplomata e outros concursos. Estou preocupado pois sei que vai ser puxado, mas quero tentar - diz ele

De acordo com o coordenador de vestibular do Centro Educacional da Lagoa (Cel), Luis Cláudio Machado, o fato dos candidatos escolherem mais de uma opção de curso está, muitas vezes, relacionado com o medo de ficar desempregado - quando o mercado de trabalho da carreira desejada está em baixa - ou de apostar todas a fichas em uma faculdade muito concorrida no vestibular.

- Algumas vezes, eles querem fazer medicina, mas acabam se inscrevendo também para enfermagem ou biologia, porque acham que não vão conseguir passar. Na minha opinião deve-se apostar no sonho, porque é viável. Se a vontade é fazer medicina, ele deve investir.

Para ajudar os alunos a escolher a carreira certa e não ficarem atirando para todos os lados, Luis Cláudio disse que o Cel oferece um projeto de orientação vocacional desde o segundo ano do ensino médio, que ajuda a minimizar as dúvidas e incentivá-los a fazer o que desejam, e não "opções paliativas, que os deixarão insatisfeitos no futuro".

- É muito normal os alunos virem até mim e perguntar se determinada profissão paga bem e se o mercado de trabalho está crescendo. Eu digo que na prática o medo de ganhar mal existe em qualquer profissão, mas que este não deve ser a principal motivação na hora de escolher o curso - recomenda.