Rotina de vestibulando é puxada. Às aulas do colégio ou do cursinho (em muitos casos, de ambos) somam-se horas de estudo e leitura. No meio do caminho para a aprovação no vestibular, os simulados surgem como oportunidade ideal de verificar se o conteúdo estudado já está pronto para ser testado. "O simulado serve para que o vestibulando aprenda a aplicar o conhecimento.

Ele transforma o que vem aprendendo nas aulas em resolução de questões", diz Nicolau Marmo, 76 anos, coordenador-geral do Anglo. Segundo ele, quem não faz simulado se depara com surpresas no vestibular. "E tudo o que uma pessoa não quer no dia do exame é uma surpresa que abale sua concentração e sua confiança", ressalta.

Na opinião de Dervile Ariza, coordenador da unidade de Suzano (38 quilômetros de São Paulo) do Curso Objetivo, um simulado bem feito vale mais do que uma semana inteira de aula. "A diferença entre a aula e o simulado é que, no primeiro caso, o estímulo ao aluno vem de fora - ou seja, é dado pelo professor. Na hora do simulado, o aluno tem que chegar sozinho a uma resposta, o que faz com que ele assimile melhor o conhecimento."

Indo da teoria à prática, a dica de Geraldo Akio Murakami, 58 anos, coordenador pedagógico do CPV Vestibulares, é que o aluno dê uma lida em toda a prova antes de decidir por qual matéria irá começar a responder. "Esse tipo de jogo de cintura o aluno só aprende fazendo simulado, que é importante para pegar ritmo. O aluno precisa saber quantas questões a cabeça dele agüenta pensar seguidamente", ensina.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, cada questão deve consumir cerca de três minutos e meio do aluno - mas esse tempo varia de acordo com o grau de dificuldade do teste e da afinidade do estudante com o assunto abordado.

Maratona

A resistência, apesar de não ser a primeira preocupação dos vestibulandos, pode ser determinante para a aprovação. "O estudante vai ter que ficar muito tempo sentado durante a prova. Se não treinar, não vai saber a hora de dar uma parada, de ir ao banheiro lavar o rosto", adverte Edmilson Motta, 37 anos, coordenador de matemática do Etapa.

Para Eliana Chumer, 53 anos, diretora do CPV, o simulado ajuda a lidar com questões de disciplina, contagem de tempo e até mesmo estresse. "Provas de vestibular como o da FGV (Fundação Getúlio Vagas), por exemplo, exigem que o aluno se prepare para uma maratona que dura o dia inteiro. Se não seguir a orientação do cursinho, a chance de ser aprovado diminui."

Eliana acrescenta que, quando o simulado é feito na casa do aluno, não tem o mesmo efeito. "O vestibulando pára, vai na geladeira, fica disperso. O ideal é que ele vivencie antecipadamente a situação do vestibular", aconselha.

O dia seguinte ao simulado também merece a atenção do vestibulando, afirma Nicolau Marmo, do Anglo. "O aluno recebe o boletim, verifica no ranking sua colocação diante dos outros estudantes e ainda recebe um diagnóstico, para ver se errou por distração ou por falta de conhecimento", diz. "Quando você vê que errou, é difícil cometer o mesmo erro novamente."

Alternativas

São Paulo - Quem não tiver condições de fazer simulados na escola ou no cursinho não deve se desesperar. Apesar da importância de testar o conhecimento, é o processo de aprendizagem que contribui para o êxito do candidato no vestibular. "O interesse do aluno e o desejo de aprender é que são importantes. Se o estudante não tiver isso em mente, não vai ter cursinho nem simulado que ajudem", diz Maria Elisa Pereira Lopes, psicopedagoga e professora do Mackenzie.

Quem não tem a oportunidade de fazer simulados deve buscar se informar por meio de jornais e revistas, segundo a psicopedagoga Andréa Paula Caltabiano, 39 anos, integrante da Associação Brasileira de Psicopedagogia. "O importante é enriquecer o vocabulário, a gramática, o conhecimento de mundo."

Obter provas de vestibulares antigos, pela Internet ou por meio de apostilas, também ajuda no preparo do estudante.

Outro modo de lidar com a pressão é estudar em grupo - assim, é possível manter o conteúdo em dia e trocar idéias. Para a vestibulanda Vivian Mendes, 17 anos, a combinação amigos e estudos tem aspectos positivos e negativos. "A idéia é boa porque, se surge uma dúvida, o amigo pode ajudar. Mas nem sempre o estudo rende."