É engraçado como aquelas centenas de pessoas que você viu no primeiro

dia de aula do cursinho, que a primeira vista até que pareciam normais,

vão revelando-se aos poucos pessoas um tanto "estranhas". Primeiro dia

de aula, você não esqueceu seu pacote de bolacha recheada indispensável

para tentar se enturmar, de repente olha para o lado e pensa:" Que

estranho! Será que eu ofereço um biscoito para ela? Se pelo menos ela

parar de roer as unhas. Meu Deus! Ela está comendo os dedos... agora a

caneta.

É nessa hora que você desiste, então olha para o outro

lado e vê uma garota de camisa rosa, calça rosa e sandália rosa...ops,

tem algo errado aí, demora alguns segundos tentando descobrir se é uma

garota ou um pacote de camarão, quando percebe que é uma garota resolve

oferecer um biscoito, erro fatal, garotas de rosa vivem de dieta, ou

pelo menos dizem que vivem, o problema é que elas nunca emagrecem,

devem chegar em casa à noite e comer 3 quilos de bolo. Os tipos do

cursinho não são muito estranhos, mas até que são engraçados, depois

dos seus amigos, é deles que você mais lembra quando acabam as aulas.

Veja abaixo alguns tipos presentes todo ano nos maiores cursinhos.

Garotas que chegam as sete da manhã prontas para ir a uma festa.

 Um

tipo muito comum, chegam sempre impecavelmente arrumadas, maquiadas, de

brinco, unhas feitas, sandália combinando com a bolsa e possuem um

celular minúsculo que insiste em tocar durante a explicação do

professor. Sempre dizem que estão prestando Fuvest, ficam espantadas

quando descobrem que a Fuvest não possui curso de moda. Pergunto-me

como elas conseguem chegar tão arrumadas ao cursinho. Será que já

dormem prontas? Como podem ter tantas peças de roupa da mesma cor? Se

elas não acordam a tempo de fazer escova e se maquiar preferem não ir à

aula.

Aluno que não sabe nada da matéria, na verdade não sabe nada de nada e tenta parecer inteligente.

Esse

é um perigo, se ele sentar ao seu lado, além de não te ajudar vai

atrapalhar, e muito. Não sabe nem a 1° lei de Newton, acha que a

Jamaica fica na África, e mesmo no final do ano ainda não sabe o nome

do professor de história. Se o problema parasse por aí estaria tudo

bem, mas ele insiste em parecer inteligente, finge que está resolvendo

os problemas de física durante as aulas e sempre pergunta a que

resultado você chegou antes mesmo de terminar a primeira linha, para

não parecer burro fala que está resolvendo de um jeito diferente, e

quando o professor corrige faz cara de feliz, tentando parecer que

resolveu de cabeça.

O Professor Fantasma

Tipo

muito comum na maioria dos cursinhos, é fácil reconhece-lo, suas aulas

são tão decoradas que seria melhor gravarem um vídeo e exibir na frente

da classe, não dão espaço para os alunos fazerem perguntas, pois podem

perguntar algo que eles ainda não decoraram, dão a mesma aula há 30

anos, não mudam nem as piadas. Quando o sinal toca e a aula acaba somem

literalmente, você até se preocupa pensando que eles foram

desmaterializados, não deveriam ser professores e sim guerreiros ninja,

você os procura em todo lugar, mas é em vão, às vezes é possível

encontra-los na sala dos professores, onde se materializam para tomar

um pouco de café, mas não adianta perguntar nada, lá eles ficam mudos.

O Eremita

Não

se confunda com esse tipo, você pode até pensar que este é um ser

dedicado que medita durante as aulas, pode até parecer um eremita, mas

está dormindo. Dorme em todas as aulas, só acorda para conversar ou no

intervalo, se o método "Sleep Learning"(aprenda dormindo) funcionasse

ele entraria em primeiro lugar na Fuvest. Seu sono é fruto de baladas

constantes, nunca vão ao cursinho, mas comparecem todos os dias, pois

são levados, já saem de casa à noite para as baladas com um bilhete

pregado no peito: " Quem me achar me leve para o cursinho", por isso

nunca faltam. Fazem cara de assustado quando acordam, quando olham para

o professor de biologia pensam que foram raptados por alienígenas, essa

é a melhor parte, a cara deles acordando, olham para você como se

estivessem pedindo ajuda, mas em poucos segundos voltam a dormir.

O Tranquilo

Paga

uma fortuna de mensalidade, mas não entra na aula, você já o viu umas

dez vezes em sua sala, mas sempre acha que é um aluno novo. Se um dia

precisar encontra-lo é só procurar nas mesas que ficam do lado de fora

ou nos barzinhos da região. Há uma coisa incrível neles, não assistem a

uma aula, mas sempre pegam as apostilas do mês, não há uma linha

escrita na apostila, mas eles insistem em andar com elas pra cima e pra

baixo, alunos muito mais esforçados desistem de estudar durante o ano,

mas eles ficam firmes até o final, por incrível que pareça quase nunca

faltam.

Novo casal.

O

cursinho pode ter só dois alunos, mas se eles forem do sexo oposto pode

ter certeza que formarão um novo casal. Para muitos o cursinho é o

centro mundial do acasalamento, nem agência de matrimônio forma tantos

casais. Geralmente são as pessoas que você menos espera que começam a

namorar, é sempre assim, nunca o casal é formado pela garota popular e

o rei do surfe, ou pelo representante da comunidade Nerd e a garota

"muda" que senta na fileira do meio e fica encostada na parede.

Os

casais são sempre formados pelas misturas mais estranhas. O grande

problema é se seu melhor amigo do cursinho encontrar o par ideal, vocês

nunca mais irão estudar juntos, mal vão se falar, então, você

desesperada tenta achar a tampa da sua panela para não se sentir

sozinha. O cara que você é afim nem sabe seu nome e o cara que você

abomina te ama. Se você estiver no primeiro mês de cursinho recomendo

que mude para a "Turma de maio".

Os que somem...

não são piores que os professores fantasmas, pois somem gradativamente,

começam parando de ir as últimas aulas, depois de um tempo não voltam

do intervalo e quando você percebe não aparecem mais.

Os que aparecem.

Você

nunca o viu, mas de repente ele está sentado ao seu lado, você pergunta

se ele é novo e ele diz que está lá desde o primeiro dia, às vezes até

sabe seu nome. Quem tem medo de assombração fica um pouco desconfiado.

O chato

O

pior de todos, é inútil tentar espanta-lo o que ele quer é chamar sua

atenção, se for do sexo oposto há 90% de chance dele ser afim de você.

Quando você começa a ficar popular e fazer vários amigos o chato

geralmente fica irritado e te dá um apelido que você detesta e que não

tem nada a ver como você, mas é suficiente para te deixar muito

"encanada", cabeçorra, gorda, orelha, e uma série de coisas pouco

agradáveis. O chato se junta com outros chatos depois de um tempo ou

com alguém que não se importe com a chatice, quando isso acontece, ele

para de te incomodar.

O individualista.

Geralmente

é o cara que tenta parecer inteligente. Pára o professor a cada 5

minutos para fazer uma pergunta sobre algo que já está explicado ou

sobre alguma coisa que não tem nada a ver com a matéria, adora sentar

na frente onde pode chamar a atenção e ser alvo das bolinhas de papel.

A Manicure.

Dispensa comentários, passa a aula lixando as unhas.

A Garota popular.

Dificilmente

ela será popular por ser inteligente, você pode ser a garota mais

inteligente do cursinho, mas se sua amiga for muito bonita, usar top e

tiver o sorriso da Cameron Diaz vai tirar toda atenção que poderia ser

dispensada a você, ela pode ser a garota mais burra do mundo, mas se

algum garoto tiver que escolher entre estudar com você ou com ela, você

vai acabar estudando sozinha.

Se você tem o objetivo de entrar

na USP ou em alguma outra grande faculdade não adianta usar as mesmas

roupas que ela e tentar ser sorridente com todo mundo, só funciona com

ela, até entrar na faculdade você pertence a outro grupo, tentar

parecer com ela é como tentar esconder um cacto atrás de um monte de

bexigas... Acho que exagerei nessa.

E o último tipo do cursinho: Você.

Pode

não parecer, mas há algo em você que certamente vai servir de rótulo

para os outros, afinal, alguma coisa diferente da maioria você possui,

pode ser uma coisa simples ou algo que até possa te incomodar um pouco,

mas não leve isso a mal, sei que não é bom ser rotulado, mas é pior

ainda ficar anônimo.