Em

uma equação que envolve muita concorrência, poucas vagas e milhares de

candidatos o resultado final às vezes acaba sendo um mico ao quadrado.

Isso porque para muitos vestibulandos não basta apenas estudar – para

entrar na faculdade vale lançar mão de todos os recursos disponíveis,

nem que isso signifique apelar para simpatias malucas.

Outros, porém,

contam com uma dose de fé, re­­correndo a santos e até mesmo a

promessas. Conheça quatro histórias de quem buscou ajuda extra, além de

livros e apostilas.

Engolindo sapo

“Escreva os nomes das disciplinas em um papel, lambuze-o com mel e

coloque na boca de um sapo.” Se a receita da curandeira procurada por

Luciana do Rocio Mallon acabasse por aí já seria mais que estranha, mas

não teria causado metade do transtorno que gerou. Isso porque a parte

final ainda exigia que o bicho acompanhasse a vestibulanda durante as

provas. Não deu outra: o anfíbio resolveu “dar um oi” para os que

estavam na sala. “No último dia ele começou a se mexer, a fiscal riu e

eu falei que era um brinquedo. Mas ele se soltou! A sorte é que só

estavamos eu, dois candidatos e os três fiscais. Eles deram risada e

não fizeram nada. Depois, eu recolhi o animal e o deixei no jardim”,

afirma. Ela passou em Letras na Federal, mas não dá os créditos para a

simpatia. “Na época, em 1993, pensei que havia me ajudado, hoje eu vejo

que não. Estudei bastante.”

Santo das causas urgentes

Quando viu que o tempo que tinha para estudar não era suficiente, a

estudante do terceiro ano Jéssica Luiza Fink, 18 anos, resolveu pedir

aos céus. Para Santo Expedito, das causas urgentes, a maior promessa:

caso passasse, iria à missa todos os domingos, durante três meses. A

intenção deu certo, segundo Jéssica, que hoje é caloura de Pedagogia da

Unibrasil. Os efeitos da crença, porém, foram além da alegria de ver

seu nome na lista de aprovados. “Estive m ais presente na igreja e isso

de certa forma fortaleceu a minha fé.”

Um ano sem refri

Se para alguns basta pedir, para outros a contrapartida é

indispensável. Consciente de seu papel, Melânia Marugal Scheuer, 18

anos, jamais esperou um milagre. “Pedi para Nossa Senhora da Salete me

ajudar a ter forças para estudar, e não apenas para passar.” Para

garantir que entraria na faculdade, ela ainda reforçou o pedido: caso

passasse ficaria um ano sem beber refrigerante. O resultado? A caloura

do curso de Psicologia da Unibrasil ainda vai ficar um bom tempo longe

da qualquer-coisa-cola e afins.

Nem tanto ao céu

Ariane Stein, de 18 anos, não pensou só em seu benefício quando

apelou para a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sua santa de devoção:

se comprometeu em doar uma cesta básica para a igreja e a fazer uma

novena em agradecimento pela aprovação em Psicologia da Federal.

“Comecei a fazer Publicidade e Propaganda, mas não estava gostando e

decidi fazer um novo vestibular.” Se­­guindo à risca a recomendação de

Santo Inácio de Loyola – reze como se tudo dependesse de Deus, trabalhe

como se tudo dependesse de você – Ariane não deixou de es­­tudar, mas

reconhece a intervenção divina. “No dia da prova, tive uns problemas e

quase me atrasei. Entrei na sala e logo em seguida o fiscal fechou a

porta. Eu pensei: eu realmente tinha de estar lá.”