Professores e alunos de cursinhos se sentem prejudicados com o fim do

uso do Enem na Fuvest deste ano. Até o ano passado, a nota do exame

contribuía com aumento de até 20% na nota da primeira fase para todos

os candidatos - bônus que foi cancelado na próxima edição do

vestibular.

A mudança - que manteve apenas o bônus para alunos de

escola pública - é ruim para alunos de escolas particulares, afirma o

coordenador de vestibular do cursinho Anglo, Alberto Francisco do

Nascimento. - O estudante da escola pública está tendo seu acesso na

universidade cada vez mais facilitado.

Isso atrapalha o estudante de

escola privada, que conta só com sua nota. A desvantagem maior está

entre alunos de escolas particulares e candidatos estudaram em colégios

técnicos federais e estaduais, com alto nível de ensino, afirma

Alexandre Chumer, diretor de comunicação do cursinho CPV. Alunos destes

colégios em geral não são de baixa renda, mas são contemplados com o

bônus da Fuvest da mesma maneira. - Só depois que a Fuvest for aplicada

vai ser possível fazer um balanço. Mas o bônus realmente coloca em

vantagem os alunos de colégio público de alto nível, do tipo que faz

vestibulinho.

O coordenador do Anglo destaca que muitos alunos da rede

pública que são aprovados na Fuvest passaram por bons cursinhos. - Nós

temos aqui dezenas de alunos que vieram de escolas públicas. Melhor que

tudo isso seria dar a eles um bom ensino para que possam concorrer.

Ligia Augusto é candidata aos cursos de relações públicas e pedagogia

na USP, Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e UFSCar

(Universidade Federal de São Carlos).

Ela diz que se sente em

"desvantagem" com o benefício dado para quem é de colégio público. - Me

sinto prejudicada mesmo em relação ao bônus para alunos de escolas

públicas. A gente rala pra caramba no cursinho e eles ganham os pontos

de graça. Deveria haver outra maneira de ajudá-los. Já a aluna do

colégio CPV, Patrícia Machado, não considera que o bônus para alunos de

escolas públicas vai afetar seu resultado no vestibular. - Eu nunca me

prendi ao Enem.

O percentual não influencia tanto no resultado, por

isso não me preocupa. Esses alunos (de escola pública) podem ser

beneficiados, mas acho que isso não me prejudica. Para quem estuda na

rede pública vale a pena. Como ficou o bônus Com o adiamento da prova

do Enem, a Fuvest e a Unicamp não vão mais dar o aumento de até 20% na

nota da primeira fase do vestibular.

Alunos de escola pública, no

entanto, podem ficar tranquilos: a USP aprovou a criação de um bônus

alternativo para candidatos nesta situação específica. O novo bônus vai

ser calculado com base na nota da Fuvest e pode aumentar até 6% da

pontuação do estudante de escola pública em ambas as fases.

O acréscimo

é proporcional ao número de pontos do candidato e, na primeira etapa,

vale para quem acertar 22 ou mais questões no vestibular. Se o aluno

fez 22 pontos, a nota dele aumenta 1,8%; se fez 37 pontos, aumenta 3%,

afirma o professor Quirino Carmello, pró-reitor substituto de graduação

da USP: - O bônus de 6% é dado para quem fez 72 pontos ou mais. O

cálculo parece complicado porque o vestibular da Fuvest é mais difícil

do que o Enem. Veja, abaixo a fórmula para o cálculo do benefício:

Bônus da Fuvest (%) = 1,8 + 4,2 x (NF-22) 50 NF é a nota da prova da

primeira fase da Fuvest, que tem 90 questões e vai ser apenas

eliminatória.