O Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia

[Cefet] anunciou a implantação do Instituto Federal de Educação,

Ciência e Tecnologia do Estado, que vai substituir o centro de ensino

profissionalizante. A mudança atende à Lei 11.892, assinada pelo

presidente Lula no final do ano passado e que cria a nova rede federal

de educação e transforma os Cefets em institutos.

O projeto do Ministério da Educação prevê aumento de 168 para 354

escolas técnicas em todo o País e expansão de 215 mil para 500 mil

alunos até 2010. Na Bahia, o IF incorpora de início as oito unidades do

Cefet no interior do Estado e a escola em Salvador. Mais oito serão

inauguradas até o fim do ano. A diretora-geral do Cefet de Salvador,

Aurina Santana [que passa a ocupar o cargo de reitora] estima que o

número de alunos cresça das atuais 8,8 mil para 20 mil com todas as 17

unidades funcionando.

“Não se trata apenas de uma mudança de nome. Os institutos federais

representam uma nova concepção da educação tecnológica no Brasil e

traduzem o compromisso do governo federal com os jovens e adultos”.

Cada uma das oito novas escolas tecnológicas está orçada em R$ 5

milhões.

Há ainda a possibilidade de o antigo prédio do Colégio Maristas, no

Canela, se incorporar à estrutura do Instituto Federal. Em janeiro,

chegou a ser anunciado que o edifício iria abrigar a futura reitoria,

mas, segundo o gabinete da reitora Aurina Santana, a instituição ainda

negocia com o governo do Estado, que tombou o prédio.

Novos cursos – O IFBahia já começa a funcionar com

três novos cursos superiores, oferecidos no último vestibular

[tecnologia em radiologia, engenharia química e análise e

desenvolvimento de sistemas].

Para 2010, a expectativa é destinar 20% das vagas para novos cursos

de licenciatura, em geografia, matemática, informática e física. O

percentual é uma exigência da lei que criou a nova rede federal

tecnológica de ensino. No último processo seletivo, foram oferecidas

3.148 vagas, número que deve aumentar em 50% no vestibular de 2010, de

acordo com o pró-reitor de ensino Albertino Nascimento.

A nova rede tem um modelo institucional em que as unidades possuem

autonomia administrativa e financeira. Já a reitoria se dedicará mais

às políticas educacionais. O ensino tecnológico, dizem especialistas em

educação e mercado de trabalho, é fundamental para atender a crescente

demanda por mão-de-obra especializada no País, sobretudo na indústria.

“A riqueza de um país passa pela educação profissional. Ela faz

pessoas conseguirem bons empregos”, diz Ayala Barbalho, presidente da

Câmara de Educação Profissional do Conselho Estadual de Educação e

assessora do Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial], da

Confederação Nacional da Indústria [CNI].

Mudança no processo de avaliação

As mudanças feitas no Cefet com objetivo de melhorar a estrutura do

novo Instituto Federal da Bahia já começaram a ser sentidas por alguns

alunos. Até agora, as principais alterações estão na parte física da

unidade, que teve um dos pavilhões inteiramente reformado entre 2008 e

2009.

Novata na instituição, Ana Elisa Navarro, 14, estudante do 1º ano,

assiste às aulas no novo prédio. “Algumas pessoas dizem que, ano

passado, havia problema com salas e que somos privilegiadas”, diz ao

lado da colega Caroline Vital, 15. No ensino, há um novo método de

avaliação. Agora, as notas finais precisam ser obtidas a partir de três

tipos de exame: prova, teste e seminário.

Mas alunos, sobretudo nos cursos técnicos, dizem ainda não terem

percebido grandes mudanças. “Mudou a sala. Fora isso, não senti

diferença”, afirma Tarquínio Santos Júnior, 15, estudante de

Eletrotécnica. “Até agora, não surtiu efeito”, considera Pedro Henrique

Conceição, 15, outro aluno do curso.

Planos – A empolgação pode estar reduzida no

Instituto Federal da Bahia. Mas, do lado de fora, é grande a

expectativa de quem sonha com uma vaga em um dos cursos da instituição.

“Quem sabe agora, com mais vagas, eu consiga entrar”, diz Cibele

Marinho, 15, que não teve sucesso no último vestibular do Cefet. Com o

IFBahia, ela espera que seja diferente.