A notícia de um novo sistema para ingressar na universidade já está

mudando o jeito de ensinar e de aprender. Para quem está às vésperas do

vestibular, a questão é urgente. Como tomar o rumo certo dos estudos?

Como muitas instituições não vão abandonar o vestibular em 2010, a

exemplo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), será

preciso manter o aprendizado atual e começar a exercitar o modelo da

prova do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).

Na prática, tudo

o que se sabe sobre o conteúdo do novo exame que substituirá o

vestibular é que o aluno terá de solucionar problemas em quatro áreas

do conhecimento. A prova do Sistema de Seleção Unificado proposto pelo

Ministério da Educação (MEC), conforme Reynaldo Fernandes, presidente

do instituto responsável pelo novo Enem, ficará “no meio do caminho

entre o excesso de informações cobradas no vestibular e o pouco

conteúdo do antigo Enem”.

Na falta de um programa mais

específico sobre o que será cobrado na nova prova, o ideal é continuar

estudando para o vestibular e acrescentar ao estudo o treino do modelo

do atual Enem. No site do MEC, todas as provas e gabaritos estão

disponíveis ao estudante. A divulgação do edital está prometida para

maio.

Estudar

para o Enem sempre foi um problema. A queixa é de que a velha versão do

exame capricha nas habilidades gerais, como a capacidade de interpretar

textos, e apresenta muito pouco conteúdo específico do Ensino Médio.

Para ir bem na prova, é preciso usar a experiência do dia a dia. Com

isso, alunos que sabem a matéria correm o risco de errar o teste,

porque é preciso relacionar os conhecimentos e usar habilidades.

Os alunos do terceiro ano estão angustiados com a mudança, no meio de

um furacão. Para tranquilizar a turma, aplicamos o Enem 2008 em sala de

aula, e eles foram muito bem. O Enem atual tem questões que não se sabe

qual é a disciplina, não envolve um conteúdo de aula e isso faz com que

o aluno mais jovem se perca, pois o teste exige um pouco de experiência

– diz a diretora do Colégio Leonardo da Vinci, Margareth Widholzer

Galante.

Professores traçam novas estratégias para as aulas

As

63 questões aplicadas em sala de aula não serviram apenas para acalmar

os alunos. A partir dos resultados, os professores começam a traçar

novas estratégias para estimular ainda mais as habilidades apontadas

pelo Enem. Nas aulas dos pré-vestibulares também estão previstas

mudanças.

– Estamos esperando a definição do programa do novo

Enem para preparar os alunos. Os cursinhos só deixarão de existir

quando o número de vagas for maior do que o de candidatos – diz Enio

Kaufmann, diretor do grupo Unificado.

O novo Enem promete cobrar

mais conteúdos, mas isso não excluirá o formato já consagrado em mais

de uma década de exame. A prova continuará sendo interdisciplinar e com

questões contextualizadas, colocando o estudante diante de situações

que exigem aplicação do conhecimento e demonstração de habilidades. Um

novo desafio para alunos e professores.

A proposta

O Ministério da Educação prevê a aplicação do novo Enem nos dias 3 e 4 de outubro, e a divulgação das quatro provas de múltipla escolha em 4 de dezembro. O resultado final, com a correção das redações, foi proposta para 8 de janeiro de 2010.

Preste atenção

A maioria das questões tem a ver com o cotidiano. Por isso, ler revistas, jornais, bons livros e revistas especializadas e interpretar as informações ajuda na preparação.

O exame é interdisciplinar e cobra o que será levado para a vida. Esse modelo já é aplicado na maioria dos vestibulares da Europa e dos Estados Unidos. Os criadores do Enem dizem que foi inspirado nesses exames.

Na redação, além das competências de uma dissertação, o edital do Enem atual pede ao aluno a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado, demonstrando respeito aos direitos humanos.