O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mudou. Agora, a prova terá 200

questões de múltipla escolha, divididas em quatro áreas do

conhecimento: ciências naturais e humanas, linguagens e matemática,

além de redação. E passou a ser aceito como um dos principais

instrumentos de seleção para as universidades federais e algumas

particulares.

As mudanças na prova significam, na percepção de alguns educadores, que

a metodologia apresentada pelo novo exame permitirá avaliar melhor o

desempenho do aluno.

Assim, ao invés de medir a quantidade de informações que o estudante

consegue decorar, a avaliação privilegia a capacidade de raciocínio e

habilidades para a resolução de problemas.

Para o professor Alvacir dos Santos Bahls, diretor do colégio Sapiens,

a principal diferença entre o antigo e o novo Enem está basicamente na

forma.

“O Enem era uma prova clássica, com 63 questões interdisciplinares, sem

articulação direta com os conteúdos ministrados no ensino médio. Agora

será composto por perguntas objetivas”, diz o professor, defendendo que

“as escolas e os estudantes estejam atentos aos parâmetros do novo

modelo, principalmente porque as questões de matemática e suas

tecnologias corresponderão a 25% da nota, O que agrada alguns e

descontenta outros”.

Indicação clara

Além disso, explica Bahls, alguns conteúdos, como a luta pela conquista

de direitos pelos cidadãos, gravidez na adolescência, história cultural

dos povos africanos, a industrialização brasileira, a urbanização e as

transformações sociais e trabalhistas, passam a fazer parte da prova.

Ele argumenta que a grande vantagem é a reformulação do currículo do

ensino médio. “Os vestibulares, nos moldes de hoje, estão cada vez mais

voltados para o acúmulo excessivo de conteúdos. A proposta é sinalizar

para o ensino médio outro tipo de formação, mais voltada para a solução

de problemas”, defende.

Outra vantagem apontada por Alvacir é a realização do exame unificado,

permitindo o acesso às universidades públicas e algumas particulares,

centralizando o exame seletivo e deste modo, democratizando o acesso ao

ensino superior.

“Sem contar que o Enem continua a servir como referência para uma

auto-avaliação sobre o ensino médio, e sua nota continuará a ser

critério de seleção para o Prouni - programa universidade para todos”,

diz o professor.

Para quem está se preparando, ainda não há uma indicação clara do que

estudar, mas os professores orientam que nesse momento o melhor é se

preparar tanto para o vestibular quanto para o Enem.

E lembram que os cursinhos já estão se adaptando para treinar os alunos

para o exame, já dentro do novo modelo, que vai exigir maior capacidade

de interpretação, que de temas decorados.

Outra grande vantagem no novo modelo é que será possível se candidatar

a vagas em diferentes universidades, com limites de até cinco opções

por candidato. Assim o aluno não fica preso à avaliação de uma

faculdade.

E mais: o aluno receberá sua nota antes de se inscrever e poderá,

consultar as médias dos demais candidatos que estão concorrendo à vaga

que ele deseja. O Ministério da Educação promete colocar na internet um

sistema on-line de inscrições, onde as informações ficarão abertas à

consulta, permitindo que o candidato tenha uma visão clara de suas

chances no processo seletivo.