O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), terá uma dura

batalha por sua sobrevivência política no início de agosto,

quando acabar o recesso parlamentar.

As denúncias contra ele no Conselho

de Ética do Senado se acumulam e cinco das 11 representações

apresentadas (confira a lista abaixo) podem até acabar em cassação

de mandato - três entregues pelo PSDB e duas pelo Psol. Segundo o regimento

da Casa, as denúncias apresentadas por partidos, como têm mais

peso, têm tramitação mais rápida e podem acabar com

punições mais severas.

O maior aliado de Sarney em sua defesa é o próprio presidente

do Conselho de Ética, o senador Paulo Duque (PMDB-RJ). Como presidente

do colegiado, Duque tem a prerrogativa de rejeitar a abertura dos processos

sem a anuência dos outros 14 senadores que foram o conselho. O senador

do Rio já até adiantou que não vai acatar pedidos "sem

fatos relevantes".

Se alguma das denúncias passar Sarney ainda conta

com uma importante rede de proteção formada pela base aliada ao

governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dos 15 membros do conselho,

dez são da base governista, e devem votar sempre a favor de Sarney. Isso

porque o presidente Lula e o PT sabem que, sem a força política

de Sarney e do PMDB, a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil,

Dilma Rousseff, pode ficar abalada.

A primeira reunião do Conselho de Ética, que foi instalado em

15 de julho após seis meses paralisado, está marcada para 5 de

agosto.

Confira as denúncias protocoladas contra Sarney:

INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS DA PF29 de julho - Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam

Buarque (PDT-DF) fazem denúncia contra Sarney no Conselho de Ética

acusando o agente da Polícia Federal Aluizio Guimarães Filho

– cedido pelo Palácio do Planalto ao senador na cota de funcionários

de ex-presidentes – de passar informações privilegiadas

ao empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. A denúncia

foi feita pelo jornal Correio Braziliense.

SARNEY TERIA VENDIDO TERRAS SEM PAGAR IMPOSTO29 de julho - Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam

Buarque (PDT-DF) protocolam denúncia no Conselho de Ética

com base em matéria publicada pela Folha de S. Paulo. Segundo o jornal,

Sarney vendeu terras sem pagar imposto. A negociação teria

ocorrido com a Fazenda São José do Pericumã, que fica

na divisa entre Goiás e o Distrito Federal.

PSOL DENUNCIA QUEBRA DE DECORO29 de julho - O Psol entrega ao Conselho de Ética

uma representação em que acusa Sarney de quebrar o decoro

parlamentar por vários motivos. Segundo o partido, o presidente do

Senado omitiu um imóvel em sua declaração de bens à

Justiça Eleitoral, usou recursos públicos de forma irregular

por meio da Fundação José Sarney e mentiu ao prestar

informações sobre a relação de com a entidade.

PSDB ENTRE COM TRÊS AÇÕES CONTRA SARNEY28 de julho - O presidente do PSDB, Sérgio Guerra

(PE), protocola no Conselho de Ética três denúncias

contra Sarney, baseadas nas quatro ações que Arthur Virgílio

(PSDB-AM) havia proposto sozinho. As três ações do PSDB

dizem respeito às acusações nos casos da Petrobras,

dos atos secretos e do crédito consignado aos funcionários

do Senado (leia os detalhes abaixo).

O NAMORADO DA NETA 23 de julho – O senador Arthur Virgílio

(PSDB-AM) denuncia Sarney por sua suposta participação em

uma negociação para dar um emprego no Senado ao namorado de

sua neta, Maria Beatriz. A base da denúncia é uma reportagem

publicada pelo Estadão em 22 de julho, com áudios da operação

Boi Barrica, da Polícia Federal. Nas gravações, Fernando

Sarney, filho do senador, diz à filha que precisa falar com Agaciel

Maia, ex-diretor-geral do Senado, e com José Sarney, para tentar

encaixar o rapaz no emprego.

ACUSAÇÃO DE MENTIR NO PLENÁRIO14 de julho – O senador Arthur Virgílio

(PSDB-AM) protocola ação contra José Sarney alegando

que ele mentiu ao Plenário no dia 9 de julho, quando declarou não

ter “responsabilidades administrativas” sobre a Fundação

Sarney, que teria desviado dinheiro da Petrobras (confira abaixo). No dia

10 de julho, uma reportagem do Estadão derrubou a versão do

senador, mostrando que Sarney é “presidente vitalício"

e fundador da entidade, e tem como uma de suas prerrogativas “assumir

responsabilidades financeiras”.

SUPOSTO DESVIO DE DINHEIRO DA PETROBRAS10 de julho – O senador Arthur Virgílio

(PSDB-AM) entrega pedido ao Conselho de Ética para que investigue

o suposto desvio de R$ 500 mil realizado pela Fundação Sarney.

Segundo reportagem do Estadão, a entidade recebeu R$ 1,3 milhão

da Petrobras para digitalizar todo seu arquivo, mas o trabalho nunca foi

feito.

ATOS SECRETOS30 de junho – O Psol protocola representação

em que pede a investigação sobre a suposta quebra de decoro

parlamentar cometida por José Sarney. Segundo a denúncia,

durante seus mandatos à frente do Senado, os atos os atos secretos

tiveram “suspeição relevante”.

O NETO E O CRÉDITO CONSIGNADO29 de junho - O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM)

entrega ao Conselho de Ética do Senado um documento com 18 acusações

divulgadas na imprensa contra Sarney. Entre elas há denúncias

de que vários atos secretos beneficiaram parentes do senador e de

alguns de seus aliados. A denúncia mais grave, publicada em reportagem

do Estadão, se refere ao fato de o neto de Sarney, José Adriano

Cordeiro Sarney, ter uma empresa que negociava crédito consignado

para funcionários do Senado.