Um grupo de estudantes da rede particular de ensino está contestando o

resultado do vestibular da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O

motivo da contestação é que a prova de redação, pela qual eles foram

desclassificados do processo seletivo, apresentaria uma ambiguidade,

com orientações contraditórias para quem optou por redigir uma carta.

Na

folha 19, a orientação geral instruía a não escrever o nome na folha de

respostas e a colocar apenas um traço no local da assinatura, caso a

opção fosse por uma das cartas. Já na página 26, era solicitado que o

candidato apresentasse um remetente determinado.

De acordo com

a Comissão Permanente do Vestibular (Copev) da Universidade Federal de

Uberlândia (UFU), das 9,7 mil provas, 1,8 mil foram zeradas por causa

da redação. Os alunos desclassificados estão se reunindo para ingressar

com liminar na Justiça, solicitando a revisão da prova e inclusão da

nota no processo seletivo.

Um estudante, que por orientação do

seu advogado pediu para não ter o nome divulgado, é um dos candidatos

desclassificados por ter colocado um pseudônimo na redação. Como ele,

cerca de outros 50 alunos procuraram a escola em que fizeram o curso

pré-vestibular por considerarem que as orientações da prova induziram

ao erro. “Fui desclassificado do exame e não tenho acesso à nota nem à

correção da redação. Pela nota do Enem, eu teria sido classificado,

então, estou lutando para reverem a decisão”, disse.

Segundo o

consultor pedagógico da escola, Thomé de Freitas, faltou bom senso da

instituição federal ao desclassificar os alunos. “A instituição poderia

ter penalizado os candidatos retirando pontos, mas não

desclassificando. Estamos disponibilizando hoje (ontem) um laudo

técnico do nosso coordenador de código de linguagem que atesta a

ambiguidade da prova e acredito que os alunos têm o direito de pedir a

revisão”, disse.

Os candidatos que não concordam com o

resultado estão sendo orientados pela Copev a procurar a Justiça. A

Promotoria Geral da UFU não soube informar quantas contestações foram

registradas até o momento.

De acordo com o coordenador Cláudio

Camargo Rodrigues, que está substituindo o presidente da Diretoria de

Processos Seletivos da UFU, a orientação geral era de que os candidatos

não se identificassem na redação. “O que pode ter acontecido foi uma

confusão desses estudantes no momento de formatar a carta, porém, a

colocação do nome é uma falta eliminatória e não faremos a revisão, a

não ser que haja uma decisão judicial a favor dos alunos”, afirmou.