A forte atuação em nichos como a venda de sistemas de ensino para

outras instituições e a ampliação de cursos de ensino a distância pelo

País tem levado os grupos Anhanguera Educacional, Kroton e Sistema

Educacional Brasileiro (SEB) a continuarem em pleno processo de

expansão, com bons índices de lucratividade, mesmo em meio à crise

financeira mundial, que vem negativando os resultados financeiros de

diversos setores da economia global.

Ainda assim, o setor sentiu

reflexos negativos do aumento do desemprego e redução do crédito, que

puxaram para baixo os índices de adesões nos vestibulares e nas

matrículas de grandes sistemas universitários privados do País - queda

média de 10%. O SEB, por exemplo, registrou lucro líquido de R$ 46,5

milhões em 2008, apresentando crescimento de 69% na comparação com os

R$ 27,5 milhões de 2007.

O segmento de Educação a Distância (EAD) foi o

que registrou o maior crescimento, contribuindo com R$ 27,5 milhões na

receita do grupo. Marco Rossi, diretor de Relações com Investidores do

SEB, afirma que a expansão é consequência, principalmente, do baixo

preço desse tipo de curso, que chega a custar 50% menos do que os

sistemas convencionais de aulas presenciais oferecidos por outras

escolas. "Hoje, a maioria dos cursos superiores a distância estão na

faixa de R$ 200, menos da metade do presencial", disse o executivo, que

prevê incremento de 25% no faturamento da rede este ano.

O sistema de

Ensino a Distância foi implantado pelo SEB em meados de 2006, com 1.700

alunos, e encerrou 2008 com 19.900 adeptos, contribuindo com 9% do

faturamento do grupo. A expectativa do SEB, de acordo com Rossi, é de

atingir cerca de 30 mil alunos até o término do ano letivo. Mesmo

diante dos bons resultados, Rossi conta que o EAD registrou queda de

quase 20% na adesão para vestibulares no início deste ano.

"A adesão ao

vestibular em janeiro deste ano foi cerca de 20% menor do que no em

janeiro de 2008. No ensino presencial não sentimos tanto, pois não

estamos nos mercados competitivos", explicou o executivo, que

continuará na expansão do sistema de ensino para o nível básico

(educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e pré-vestibular)

neste ano.

Desempenho

O grupo mineiro de educação Kroton teve bom

desempenho no ano passado, com lucro líquido de R$ 48 milhões em 2008,

diante de um resultado de R$ 31,5 milhões em 2007, um crescimento de

55% neste período. Alícia Figueiró, vice-presidente do grupo e diretora

de RI , explica que o objetivo da Holging Kroton é atuar em todas as

segmentações de renda do País e que, para isso, opera com bandeiras

diferentes para cada uma como Faculdades Pitágoras, o Instituto

Nacional de Educação a Distância (Ined) e também a Projecta, criada

pelo Kroton no ano passado para atender escolas públicas. "Dos 50

milhões de alunos do ensino básico do País, cerca de 45 milhões estão

na rede pública, é um grande potencial", explicou Alícia.

Ainda assim,

houve um decréscimo de 10% na adesão de matrícula no Ined. Diferente do

SEB e do Kroton, o grupo Anhanguera Educacional, que no ano passado

adquiriu as operações da Microlins e da Rede de Ensino Luiz Flávio

Gomes, registrou aumento nas adesões ao vestibular do primeiro

trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. A

empresa encerrou 2008 com lucro de R$ 79,4 milhões, crescimento de 25%

em relação a 2007, e 218 mil alunos.

Segundo Ricardo Scavazza,

vice-presidente de Operações e Relações com Investidores da companhia,

a procura por cursos de ensino a distância este ano aumentou 60% em

relação ao início de 2008, e nos campi esse número cresceu 30%. Em

tempos de crise, com demanda de matrículas reduzida, as grandes

universidades privadas do País apostam na expansão do ensino a

distância e na venda de material didático a outras instituições.