Os 37.968 candidatos que passaram para a segunda fase

do vestibular da Fuvest têm um motivo a mais para se orgulhar do seu

desempenho. O exame de seleção da USP foi considerado o melhor

vestibular das universidades públicas paulistas pelos professores de

dez cursinhos e colégios ouvidos pelo Estadão.edu.

Eles

analisaram as provas da USP, da Unesp e da Unicamp para votar em seis

quesitos: o melhor vestibular; o mais difícil; o que exigiu mais

conteúdo; o mais trabalhoso; o de perfil mais interdisciplinar; e o que

exigiu maior conhecimento de atualidades.

A Fuvest venceu em

todas as categorias - em uma delas, a de prova mais trabalhosa, houve

empate com a Unicamp. O exame da USP recebeu 35 votos dos 60 possíveis.

A Unesp veio a seguir, com 15 votos, e a Unicamp ficou em terceiro

lugar, com 14. O número total de votos superou o de entrevistados

porque alguns deles indicaram mais de uma universidade nas respostas.

Para

os professores do cursinho Intergraus, que responderam à pesquisa em

conjunto, a Fuvest se destacou pela abordagem abrangente e por exigir

do candidato a capacidade de trabalhar com conceitos. Álvaro Zimmermann

Aranha, que ensina matemática no Colégio Bandeirantes, concorda:

“Pensando em uma prova que deve examinar conteúdos do ensino médio, a

Fuvest foi, sem dúvida, a melhor.”

Para a diretora da Fuvest,

Maria Thereza Fraga Rocco, as mudanças promovidas no exame deste ano

colaboraram para manter o bom nível da prova. “A avaliação da Fuvest

mostra também a qualidade dos candidatos”, diz.

No

levantamento, o exame da USP venceu com folga na categoria de

vestibular mais difícil, com 6 votos. Para a coordenadora do Cursinho

da Poli, Alessandra Venturi, essa é uma característica histórica do

exame. “A Fuvest é mais difícil pela exigência de conteúdo, pelo tempo

de prova e pelo número de questões.”

O grau de dificuldade dos

vestibulares das universidades paulistas dividiu opiniões no Vértice.

“Os professores votaram na Unesp, mas os alunos escolheram a Fuvest”,

diz Adilson Garcia, diretor do colégio. Para o professor do Global,

Cesar Betioli, todos os exames tiveram dificuldade média. “As provas

seguiram a linha dos anos anteriores.”

Agora, o foco de

cursinhos e colégios é ensinar atalhos para driblar os desafios das

provas finais, já que entrar na USP, Unesp e Unicamp é o sonho de uma

legião de alunos. Em 2009, os três vestibulares receberam, juntos,

252.134 inscrições. O número é mais de 12 vezes maior que a oferta de

vagas, que não chega a 21 mil.

Os exames deste ano têm

novidades que deixaram candidatos ansiosos. Na Fuvest, os pontos da

primeira fase não contam mais na nota final. E a segunda fase passou a

exigir todas as disciplinas. “É uma prova mais profunda, mesmo tendo o

conteúdo básico igual ao da primeira fase”, diz Maria Thereza.

A

Unesp agora é dividida em áreas interdisciplinares, como Ciências

Humanas e da Natureza, seguindo o modelo do Enem. Tania Cristina

Arantes Macedo de Azevedo, diretora da Vunesp - que organiza a prova da

Unesp -, diz que, “para não surpreender os candidatos”, apenas algumas

questões com esse novo modelo entraram no exame de primeira fase. Ela

faz um alerta semelhante ao de Maria Thereza em relação à segunda etapa

do vestibular: “O conteúdo será o mesmo do exame da primeira fase, mas

as questões estão mais complexas.”

A Unicamp promete uma segunda

fase sem surpresas. Renato Pedrosa, coordenador-executivo da Comvest,

responsável pelo exame, afirma que o foco da prova está no conteúdo.

“Mas sempre no modelo da Unicamp, que tem avaliação de conceitos, e não

decoreba.”

Parte II

Unesp

20 e 21 de dezembro

Duração: 4h30

USP

De 3 a 5 de janeiro

Duração: 4 h

Unicamp

De 10 a 13 de janeiro

Duração: 4 h