O Ministério da Educação (MEC) e o comitê responsável pela elaboração

do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) decidiram hoje (13) qual

será a matriz de habilidades da prova que substituirá o vestibular das

universidades federais.

Segundo o ministro Fernando Haddad, os

conteúdos permanecerão os mesmos que são ministrados hoje pelo ensino

médio, o que muda é a "forma de perguntar". "Não se está reinventando

nada, até por respeito aos alunos que estão concluindo o ensino médio

na forma atual. O que se aprovou hoje, tendo por base os conteúdos, foi

como abordar os conteúdos. A ênfase deixa de ser na memorização e passa

a ser na capacidade de compreensão dos fenômenos da natureza, por

exemplo", disse.

A matriz de conteúdo será divulgada amanhã (14), após

reunião com os secretários estaduais de educação. Segundo Haddad, o

novo formato não permite as "pegadinhas", por exemplo, nem vai exigir

que o aluno decore uma fórmula ou a data de um fato histórico.

"O que

ele precisa saber é como se desenrolaram os processos históricos e a

implicação dos fatos na vida dos países", disse. O ministro acredita

que como nem todos os conteúdos podem ser cobradas a partir da matriz

de habilidades estabelecida pelo MEC,  a tendência é que o volume de

conteúdos diminua. "Hoje o programa de ensino médio é um empilhamento

dos programas dos vestibulares", defendeu.

Em breve, o Instituto

Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)

deve divulgar um modelo da prova para que os alunos tomem conhecimento

do formato.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das

Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Amaro Lins,

ressaltou que muitos vestibulares do país já adotam esse formato de

prova. "O grande avanço é que o país inteiro vai ter a possibilidade de

um exame que tem grandes ganhos em relação ao modelo atual", apontou.

Haddad disse ainda que vai pedir um reforço ao Ministério da Justiça na

aplicação e logística de distribuição da provas. Hoje, cerca de 2 mil

agentes da Polícia Federal fazem a segurança nos locais de prova do

Enem, mas em função do possível crescimento do número de inscritos, o

MEC quer aumentar esse efetivo.

Como já tinha sido determinado pelo

MEC, a prova será nos dias 3 e 4 de outubro. Os estudantes que quiserem

se candidatar às vagas de uma das instituições participantes devem

necessariamente participar do exame que terá uma redação e 200 questões

de múltiplas escolhas. Os testes serão de linguagens e códigos,

matemática, ciências naturais e ciências humanas.