Profissionais formados com bolsas integrais do

Programa Universidade para Todos (ProUni) revelam que o mercado de

trabalho se abriu – 80% estão trabalhando –, e que a renda familiar

aumentou para 68% deles. Mas o principal efeito da oportunidade de

fazer uma graduação aconteceu na família. Oito de cada dez

entrevistados disseram que familiares se sentiram motivados a iniciar

ou prosseguir os estudos.

Em 2009,

mais de 384 mil cidadãos fazem uma faculdade com bolsas do ProUni. Os

dados fazem parte de uma pesquisa encomendada pelo Ministério da

Educação ao Instituto Ibope e realizada no período de 13 a 23/03/2009.

O Ibope ouviu por telefone 1.200 recém-formados em estados de todas as

regiões do país. A primeira leva de formandos que estudaram com bolsas

do ProUni concluiu os cursos no final de 2008. O programa foi criado em

2004 e começou a operar em 2005. O Ministério da Educação estima que

cerca de 56 mil bolsistas do ProUni já concluíram a faculdade.

Na avaliação de Bruno Teodoro Oliva, coordenador geral de projetos

especiais para a graduação da Secretaria de Educação Superior, o fato

de 80% dos entrevistados relatarem que estão trabalhando confirma que a

formação amplia as oportunidades de emprego e traz como consequência

uma melhoria na qualidade de vida. Outro ponto positivo que a pesquisa

traz é a elevação dos rendimentos. Entre os entrevistados, 68% dizem

que a renda familiar melhorou e, destes, 28% relatam que melhorou

muito. Na região Nordeste, o índice foi de 70% e no Sul, 69%.

Mas o aspecto da pesquisa que mais chama a atenção de Bruno Oliva e

o que evidencia consequências não só imediatas, mas também de longo

prazo é o relato dos formados sobre os efeitos que a graduação causou

no âmbito familiar. Quando oito de cada dez entrevistados dizem que a

formação deles motiva e incentiva seus familiares a iniciar ou

prosseguir nos estudos, deduz-se que o ProUni gera efeitos motivador e

multiplicador. “É o reconhecimento da família de que a educação trouxe

um ganho ao estudante”, diz Bruno Oliva.

Para o coordenador do programa, isso também significa que os filhos

dos beneficiários do ProUni terão maior probabilidade de frequentar a

escola. Ele explica: estudos mostram que filhos de pais com maior

escolaridade, independentemente da renda, tendem a atingir maior nível

educacional.

O peso da formação no processo de melhoria da qualidade de vida dos

entrevistados também foi lembrado. A pesquisa constatou que 97% dos

entrevistados estão motivados a fazer especialização, mestrado ou

doutorado.

Dados da Secretaria de Educação Superior do MEC indicam que, do

ingresso dos primeiros bolsistas em 2005, ao primeiro semestre de 2009,

o ProUni beneficiou 541.085 estudantes. Atualmente, 384.882 alunos

cursam uma graduação com bolsas integrais ou parciais.