No concurso 2009, aumento na nota beneficiou 34% dos 5.950 alunos

aprovados. Decisão de ontem teve 45 votos a favor do sistema em vigor

Em meio a um turbilhão de polêmicas e questionamentos judiciais, a

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) decidiu ontem manter as

regras do sistema de bônus do seu vestibular.

Em reunião à tarde, o

Conselho Universitário da instituição avaliou a possibilidade de mudar

os critérios do programa, que hoje beneficia alunos vindos de escolas

públicas e que se declaram pardos ou negros.

A decisão é válida para o

próximo processo seletivo, mas não é definitiva. Uma resolução aprovada

anteriormente pelo conselho já previa avaliações anuais do sistema de

bônus até 2012 e, durante esse período, o benefício pode continuar da

mesma forma que foi implantado, sofrer modificações ou até mesmo ser

extinto.

A principal proposta de mudança apresentada ontem, durante a

reunião, foi a de conceder o bônus apenas para alunos que cursaram todo

o ensino básico na rede pública, ou seja, desde a 1ª série do ensino

fundamental até o 3º ano do nível médio. Mas o projeto foi rejeitado

pelos conselheiros e, com isso, ficam valendo as mesmas regras do

vestibular 2009, o primeiro com o sistema de bônus em vigor.

"Colocamos

as propostas em votação, mas o conselho decidiu manter o programa assim

como ele é hoje. Tivemos 45 votos a favor da manutenção e uma

abstenção, o que comprova que o bônus é um programa vitorioso e que

aumenta a inclusão social na universidade", afirmou o presidente do

conselho, reitor Ronaldo Tadeu Pena.

Assim como no ano anterior, esta

edição do processo seletivo concederá um aumento de 10% na nota final

dos candidatos que cursaram as quatro últimas séries do ensino

fundamental (de 5ª a 8ª) e todo o nível médio em escolas públicas. E os

alunos que, além de cumprirem esse requisito, se declararem pardos ou

negros, ganharão um acréscimo de 15%.

No vestibular do ano passado, o

programa de bônus beneficiou 34,04% dos 5.950 alunos aprovados. As

propostas de mudança do sistema de bônus foram votadas ontem pelos 46

integrantes do conselho, entre eles, funcionários

técnico-administrativos, diretores de unidades de ensino, estudantes e

representantes da reitoria.

Outro assunto presente na pauta dos

conselheiros foi uma decisão da Justiça Federal que pôs em xeque o

programa de bônus da UFMG. Conforme o Estado de Minas noticiou com

exclusividade na edição de 23 de julho, um candidato ao curso de

medicina se sentiu prejudicado com o programa e questionou o benefício

na Justiça.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região acatou o pedido do

estudante Gabriel Tensol Rodrigues Pereira, de 19 anos, e deu uma

liminar favorável, que lhe garantiu a vaga. Segundo a reitoria da

universidade, cerca de outros 20 candidatos entraram com mandados de

segurança na Justiça contra o bônus, mas nenhum deles teve decisão

publicada até o momento.

ADIAMENTO

Por causa dessa reunião, a UFMG teve

de adiar a data de abertura das inscrições para o vestibular. O prazo,

que seria aberto na próxima sexta-feira, foi transferido para o dia 12.

Em nota divulgada na última semana, a presidente da Comissão Permanente

do Vestibular (Copeve), Vera Resende, explicou as razões do adiamento: "Decidimos alterar a abertura das inscrições, porque, caso seja

aprovada alguma alteração do sistema de bônus pelo conselho, não haverá

tempo hábil para publicação de edital de retificação antes do dia

previsto para o início das inscrições, 7 de agosto". Os interessados em

participar do processo seletivo terão até 8 de setembro para fazer o

cadastro.

Para o ano que vem, a UFMG vai abrir 6,6 mil vagas em 75

cursos oferecidos pela instituição. Entre as opções, há 10 novidades na

graduação previstas para 2010: antropologia, biomedicina, ciências

socioambientais, controladoria e finanças, dança, engenharia de

sistemas, museologia, relações econômicas internacionais, tecnologia em

radiologia e diagnóstico por imagem, e química tecnológica. Aluno

consegue se matricular