Para cada ano a mais de estudo o brasileiro ganha um aumento de 15% em seu salário. Os que conquistam uma pós-graduação recebem até 544% a mais do que uma pessoa que nunca estudou. Isso é o que comprova a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quanto vale um diploma universitário?

O nível de escolaridade não influencia apenas no valor que você vai receber no final do mês, mas também no fato de estar empregado. Segundo essa mesma pesquisa, um trabalhador que completou o ensino fundamental tem 35% a mais de chances de ter um emprego do que um analfabeto. As chances sobem para 122% para quem terminou o ensino médio e para 387% para os que completaram a graduação.

Pensando nos bons empregos e nos bons salários, o brasileiro anda estudando mais. Nos últimos dez anos, por exemplo, 7,9% da população conseguiram conquistar o ensino superior completo. Essas pessoas, segundo o IBGE, ganham um salário até 225% mais alto do que as demais faixas educacionais em todo o Brasil.

Anos de estudo x renda

Quando uma pessoa passa de zero para quatro anos de estudo, seu salário cresce 11,64%. Agora, quando a escolaridade passa de 14 para 18 anos, o salário aumenta 35,65% por ano. O tempo de estudo também interfere na taxa de ocupação, que aumenta 3,38% a cada ano de estudo. Isso é o que comprova os estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A pesquisa mostrou que a média do rendimento mensal de trabalhadores sem nenhum nível de instrução ou com o ensino fundamental incompleto é de R$778,55. Já quem possui o ensino médio completo ou o ensino superior incompleto recebe, em média, R$ 1.462,96. A diferença dobra para quem tem curso superior completo, cujo salário gira em torno de R$ 3.002,34.

Oportunidade para os menos escolarizados

No período de dez anos, entre 2001 e 2011, a renda dos mais pobres cresceu 90% contra 16% da parcela mais rica da população. Houve, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), uma mobilidade das pessoas dentro do mercado de trabalho, gerando o que os pesquisadores chamaram de “Década da Igualdade”

O Brasil atingiu o menor nível de desigualdade de sua história, comprovado pelo estudo do Ipea “Desigualdade, pobreza e políticas de renda”. Isso resulta numa melhoria da posição geral dos trabalhadores brasileiros no mercado de trabalho, mas também implica uma redução da valorização do diploma universitário.

Faculdade faz o salário aumentar?

Uma maior acessibilidade ao diploma universitário fez com ele deixasse de ser um grande diferencial em relação ao salário. Dados do IBGE comprovam que, desde 2007, o abismo salarial que separava trabalhadores com e sem diploma universitário começou a diminuir. Quem possuía faculdade ganhava até 159% a mais do que os empregados de nível médio. Depois esse número começou a diminuir e, em 2009, por exemplo, a diferença já havia caído para 146%.

Apesar da popularização do ensino universitário na última década, o diploma ainda faz muita diferença. A diferença salarial é que está diminuindo assim como está aumentando o número de concorrentes no mercado de trabalho com o mesmo nível de escolaridade. Estima-se que o nível de desemprego entre brasileiros diplomados seja um terço da taxa média de desocupação no país.

Quanto vale um diploma no Brasil?

Uma reportagem publicada no portal da revista Exame deixa claro a nova relação do diploma universitário com o salário do trabalhador brasileiro.

A matéria revela que o número de alunos matriculados no ensino superior no país era de 3,5 milhões no ano de 2002 e que esse número passou para 6,9 milhões dez anos depois, em 2012. Isso resultou em 5,4% da população brasileira com curso superior em 2002 e culminou em 10,4% no ano de 2010.

O crescimento da escolarização afeta diretamente a remuneração profissionais. Numa comparação por anos de escolaridade em 2001, as pessoas que estudaram de zero a três anos recebiam salários em torno de R$ 455,00 e em 2012, com o mesmo grau de instrução, esses trabalhadores recebiam salários por volta de R$ 689,00. No outro lado da tabela, com o mais alto grau de instrução e com 11 anos ou mais de estudos estavam os que recebiam cerca de R$ 2.098,00 em 2001, caindo para R$ 1.983,00 em 2012.

Essa queda da remuneração entre os brasileiros com o maior nível de escolaridade deixa claro que as vagas de emprego que valorizam esse trabalhador não crescem na mesma proporção de formandos. Apenas 10% das vagas de emprego geradas por ano no país exigem ensino superior contra 38% das destinadas a quem tem ensino médio São, em números, 1.480.000 vagas anuais destinadas para o ensino médio no Brasil.

Tendências e exigências do mercado

As empresas hoje, por conta da popularização do ensino superior, estão elevando seu grau de exigência. Se antigamente possuir uma faculdade era um grande diferencial, hoje é preciso ter, por exemplo, fluência em inglês e se souber outro idioma, melhor ainda. Em relação ao diploma universitário, o diferencial passou a ser exigido em mestrados, doutorados, MBAs e Ph.Ds.

Em 2009, um profissional com pós-graduação ganhava, em média, R$ 4.856,00 comparado aos R$ 2.880,00 dos que possuíam apenas a faculdade completa. A diferença é de 68,5% com apenas mais dois anos de estudo.