A redação já é item quase obrigatório nos processos de seleção de faculdades e de empresas. Só de ler a palavra “redação” muitas pessoas já ficam nervosas, pois em texto não há como chutar ou fazer algum tipo de enrolação.

Existem vários tipos de redação, como a dissertativa, a crônica, a descritiva, a narrativa e a carta argumentativa. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros vestibulares, o tipo de texto mais exigido é o dissertativo-argumentativo. 

Nesse estilo, o autor deve discorrer sobre um tema específico, argumentando sobre ele. Para isso, é preciso apresentar argumentos baseados em dados estatísticos, citações e outras informações que comprovem sua tese, ou seja, seu ponto de vista sobre o assunto.

O texto dissertativo é composto por introdução, desenvolvimento ou argumentação e conclusão. Num texto com cerca de 30 linhas, a introdução ocupa um parágrafo; a argumentação, três parágrafos; e a conclusão se encontra no último parágrafo. 

Como começar uma redação?

A dúvida da maioria dos estudantes já começa na introdução. A introdução é imprescindível na redação, pois são as 4 ou 5 primeiras linhas que irão prender a atenção do leitor. Justamente por isso, a introdução deve ser bem pensada. 

Antes de começar a escrevê-la, você precisa pensar no seu texto como um todo. O primeiro passo é fazer um esqueleto do texto, com os principais dados e argumentos que você pretende usar.  

Tipos de introdução

No caso do texto dissertativo do Enem, os professores indicam que sua tese sobre o tema deve ser expressa logo nas primeiras linhas. Para inserir sua opinião na introdução existem várias formas de contextualizar o tema e chamar atenção do leitor. Confira alguns tipos de introdução.

Alusão histórica

É a introdução que resgata algum fato histórico. Ela é usada para mostrar os reflexos do fato histórico nos dias atuais ou para exemplificar como a realidade mudou ao longo dos anos.

Comparação

Para introduzir sua tese, é possível trazer algum exemplo de país, ideia ou experiência que poderia se encaixar no contexto brasileiro. Mas, cuidado para não comparar civilizações com realidades muito distintas ou ferir os Direitos Humanos.

Citação

A citação é o tipo de introdução mais comum; ela confere mais credibilidade ao texto. Você pode citar desde um filósofo famoso até o trecho de uma música. A citação pode ser direta, quando apresenta aspas, ou indireta, no caso da ideia do citado ser parafraseada. Independente da forma que a citação seja feita, sempre é preciso dar crédito ao autor para você não perder pontos por plágio.

Conceito

É possível começar a redação definindo algum conceito que será importante para aquele tema. Para dar mais credibilidade, é importante citar também se a definição é do dicionário, do conhecimento popular ou de algum pensador. 

Exemplo

Geralmente, a proposta de redação vem acompanhada de conteúdos motivacionais. Para dar gancho ao assunto principal, é possível usar pesquisas, exemplos e fatos da proposta de redação ou outros que você lembrar. 

Narração

Outra forma de fisgar a atenção do leitor é narrar alguma cena histórica ou ficcional. A cena pode ser usada como exemplo do assunto que será abordado ou para comparar a realidade descrita com a situação ou problema abordado na redação.

Exemplos de introdução

Para se inspirar, confira alguns exemplos de introduções de redações nota 1000 de 2018, divulgadas na Cartilha do Participante da Redação do Enem de 2019 pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2018, o tema da redação foi “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”.

“Em sua canção “Pela Internet”, o cantor brasileiro Gilberto Gil louva a quantidade de informações disponibilizadas pelas plataformas digitais para seus usuários. No entanto, com o avanço de algoritmos e mecanismos de controle de dados desenvolvidos por empresas de aplicativos e redes sociais, essa abundância vem sendo restringida e as notícias, e produtos culturais vêm sendo cada vez mais direcionados – uma conjuntura atual apta a moldar os hábitos e a informatividade dos usuários. Desse modo, tal manipulação do comportamento de usuários pela seleção prévia de dados é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.”

  • Carolina Mendes Pereira

“A Revolução Técnico-científico-informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Embora esse movimento de modernização tecnológica tenha sido fundamental para democratizar o acesso a ferramentas digitais e a participação nas redes sociais, tal processo foi acompanhado pela invasão da privacidade de usuários, em virtude do controle de dados efetuado por empresas de tecnologia. Tendo em vista que o uso de informações privadas de internautas pode induzi-los a adotar comportamentos intolerantes ou a aderir a posições políticas, é imprescindível buscar alternativas que inibam essa manipulação comportamental no Brasil.”

  • Luisa Sousa Lima Leite

“A utilização dos meios de comunicação para manipular comportamentos não é recente no Brasil: ainda em 1937, Getúlio Vargas apropriou-se da divulgação de uma falsa ameaça comunista para legitimar a implantação de um governo ditatorial. Entretanto, os atuais mecanismos de controle de dados, proporcionados pela internet, revolucionaram de maneira negativa essa prática, uma vez que conferiram aos usuários uma sensação ilusória de acesso à informação, prejudicando a construção da autonomia intelectual e, por isso, demandam intervenções. Ademais, é imperioso ressaltar os principais impactos da manipulação, com destaque à influência nos hábitos de consumo e nas convicções pessoais dos usuários.”

  • Natália Cristina Patrício da Silva

“No filme “Matrix“, clássico do gênero ficção científica, o protagonista Neo é confrontado pela descoberta de que o mundo em que vive é, na realidade, uma ilusão construída a fim de manipular o comportamento dos seres humanos, que, imersos em máquinas que mantêm seus corpos sob controle, são explorados por um sistema distópico dominado pela tecnologia. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, os mecanismos tecnológicos têm contribuído para a alienação dos cidadãos, sujeitando-os aos filtros de informações impostos pela mídia, o que influencia negativamente seus padrões de consumo e sua autonomia intelectual.”

  • Fernanda Carolina Santos Terra de Deus

Onde estudar com a nota do enem

Uma boa redação no Enem já garante um quinto da nota da prova. Com o resultado do Enem, você pode se inscrever em diversas universidades públicas, por meio de programas do governo como Sisu, Prouni e Fies. 

Além disso, há faculdades particulares que aceitam a nota do Enem como forma de ingresso. Nesse caso, não é necessário prestar o vestibular novamente e ainda é possível conseguir um bom desconto nas mensalidades. Confira algumas faculdades bem avaliadas pelo MEC que aceitam a nota do Enem:

Agora que você já sabe como começar sua redação, já pensou onde irá estudar com a nota do Enem? Compartilhe com a gente nos comentários!