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Exercícios de figuras de linguagem: 10 questões com gabarito

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Em resumo:

  • Cada exercício traz a explicação da resposta certa na seção de gabarito comentado, ao final.
  • A diferença entre litote e eufemismo, e entre metonímia e metáfora, aparece destacada porque é onde mais se erra.
  • Nenhuma questão deve ser tratada como cópia integral de prova; várias foram adaptadas para fins de estudo.

Figuras de linguagem são recursos expressivos usados para produzir um efeito de sentido que vai além do significado literal das palavras, aproximando, exagerando, suavizando ou invertendo uma ideia para causar impacto, humor, crítica ou ênfase.

Reconhecer esse efeito e não apenas memorizar o nome da figura é o que permite responder questões com segurança quando a mesma frase admite mais de uma leitura possível.

O que você precisa reconhecer antes de responder

Para resolver as questões, observe o mecanismo que organiza a frase:

  • aproximação implícita entre sentidos, como na metáfora;
  • relação de proximidade entre termos, como na metonímia;
  • exagero, como na hipérbole;
  • atenuação por substituição, como no eufemismo;
  • negação do contrário, como na litote;
  • contraste entre ideias, como na antítese;
  • atribuição de ação ou característica humana a seres não humanos, como na prosopopeia.

Exercícios sobre figuras de linguagem

Questão 1. Em “Seus olhos são duas estrelas no meio da noite”, a relação entre os termos comparados ocorre:

  • a) por meio de uma comparação explícita, com conectivo “como”.
  • b) por meio de uma aproximação implícita de sentido, sem conectivo comparativo.
  • c) por meio de uma substituição do todo pela parte.
  • d) por meio de uma negação que suaviza a ideia.
  • e) por meio de um exagero proposital de proporção.

Questão 2. A frase “Chorei rios de lágrimas depois daquela notícia” exemplifica:

  • a) uma comparação equilibrada entre dois fatos reais.
  • b) uma substituição de um nome próprio por outro.
  • c) uma ampliação exagerada da realidade para gerar impacto emocional.
  • d) uma atenuação de um fato desagradável.
  • e) uma inversão irônica do sentido esperado.

Questão 3. Ao dizer que um colega “está com dificuldades financeiras” em vez de “está sem dinheiro”, o falante usa:

  • a) uma catacrese, por falta de termo mais específico.
  • b) um eufemismo, para tornar a informação menos direta.
  • c) uma prosopopeia, ao atribuir características humanas a algo abstrato.
  • d) uma antítese, por contrastar duas ideias opostas.
  • e) uma ironia, ao inverter o sentido literal da frase.

Questão 4. Na frase “Ouço Mozart desde criança”, a figura de linguagem presente decorre de:

  • a) uma comparação implícita entre dois elementos diferentes.
  • b) uma substituição do compositor pela obra que ele produziu.
  • c) uma negação que atenua o sentido da frase.
  • d) uma personificação de um elemento inanimado.
  • e) um exagero da frequência com que a ação ocorre.

Questão 5. — “Você gostou do restaurante?” — “Não posso dizer que foi ruim.” A resposta da segunda pessoa exemplifica:

  • a) uma metáfora, por aproximar duas ideias distantes.
  • b) uma hipérbole, por exagerar a opinião sobre o restaurante.
  • c) uma litote, por afirmar algo positivo por meio da negação do negativo.
  • d) um eufemismo, por trocar a palavra direta por outra mais branda.
  • e) uma catacrese, por falta de palavra mais precisa.

Questão 6. Leia os trechos abaixo e indique em qual deles NÃO há prosopopeia:

  • a) “O vento sussurrava segredos entre as árvores.”
  • b) “O rio corria com pressa para encontrar o mar.”
  • c) “Meu nome é Severino, não tenho outro de pia.”
  • d) “A cidade dormia sob um céu carregado de nuvens.”
  • e) “As máquinas gritavam sua fadiga no fim do turno.”

Questão 7. Na frase “Os passageiros embarcaram no trem às pressas”, o uso de “embarcaram” — verbo originalmente ligado a barcos — para um meio de transporte terrestre é um exemplo de:

  • a) metáfora, por aproximar sentidos diferentes.
  • b) catacrese, pelo uso de uma palavra por falta de termo específico para a ação.
  • c) eufemismo, por suavizar a informação.
  • d) antítese, por contrastar dois sentidos opostos.
  • e) ironia, por inverter o sentido esperado da frase.

Questão 8. No verso “Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente”, o recurso predominante é:

  • a) a hipérbole, pelo exagero da intensidade do sentimento.
  • b) a antítese, pelo contraste entre ideias opostas dentro da mesma definição.
  • c) a metonímia, pela substituição de um termo por outro relacionado.
  • d) o eufemismo, pela suavização de uma ideia dolorosa.
  • e) a catacrese, pela falta de palavra mais precisa para o sentimento.

Questão 9. Um professor corrige uma prova cheia de erros e diz ao aluno: “Que redação brilhante, você merece um aplauso.” O comentário do professor exemplifica:

  • a) uma metáfora, por aproximar duas ideias distintas.
  • b) uma ironia, por inverter o sentido literal do elogio.
  • c) uma prosopopeia, por atribuir características humanas a algo abstrato.
  • d) uma litote, por negar o contrário do que se quer dizer.
  • e) uma catacrese, por falta de termo mais específico.

Questão 10. Na tirinha em que um personagem, exausto após um dia de trabalho, diz “Eu poderia dormir por um século” enquanto o quadro seguinte mostra o sol nascendo, o efeito de sentido combina principalmente:

  • a) metáfora e eufemismo.
  • b) hipérbole e contraste temporal sugerido pela imagem.
  • c) catacrese e antítese.
  • d) metonímia e ironia.
  • e) prosopopeia e litote.

Gabarito comentado das 10 questões

Questão 1 — alternativa b. A frase aproxima “olhos” e “estrelas” sem conectivo comparativo, unindo os dois sentidos em uma única imagem: é o funcionamento típico da metáfora.

Questão 2 — alternativa c. “Rios de lágrimas” amplia a realidade de forma desproporcional para expressar a intensidade da emoção, o que caracteriza a hipérbole.

Questão 3 — alternativa b. Substituir “sem dinheiro” por “dificuldades financeiras” torna a informação menos direta sem recorrer à negação, o que define o eufemismo — diferente da litote, que precisaria negar o contrário da ideia.

Questão 4 — alternativa b. “Ouço Mozart” usa o nome do compositor para representar a obra musical que ele produziu, uma relação de causa por efeito (ou autor pela obra) típica da metonímia, e não uma aproximação de sentidos como ocorreria na metáfora.

Questão 5 — alternativa c. “Não posso dizer que foi ruim” nega o termo negativo para sugerir, de forma atenuada, uma opinião positiva: é a estrutura característica da litote.

Questão 6 — alternativa c. As demais frases atribuem ação, sentimento ou fala a elementos não humanos — vento, rio, cidade, máquinas —, o que é prosopopeia. Já “Meu nome é Severino, não tenho outro de pia” é a fala de um sujeito humano sobre si mesmo, sem atribuição de características humanas a algo inanimado, por isso é a alternativa sem a figura.

Questão 7 — alternativa b. “Embarcar” nasceu associado a barcos, mas passou a ser usado também para trens, ônibus e aviões por falta de um verbo específico consolidado para cada meio de transporte — esse uso por ausência de termo mais preciso é a catacrese.

Questão 8 — alternativa b. O verso une pares opostos — “arde sem se ver”, “dói e não se sente” — na mesma definição de amor, o que caracteriza a antítese como recurso predominante, mesmo havendo também intensidade emocional na construção.

Questão 9 — alternativa b. O elogio dito a uma redação cheia de erros inverte o sentido literal da frase para expressar crítica, o que é o funcionamento típico da ironia.

Questão 10 — alternativa b. “Dormir por um século” exagera a duração do cansaço (hipérbole), enquanto o quadro do sol nascendo sugere, por contraste visual, que o dia recomeça sem que o desejo se realize — os dois efeitos se combinam na leitura da tirinha.

Perguntas frequentes sobre figuras de linguagem

Qual a diferença entre metáfora e metonímia?

A metáfora aproxima dois elementos de sentidos diferentes sem relação lógica direta entre eles, como comparar olhos a estrelas. A metonímia substitui um termo por outro que tem relação real de proximidade, causa, autoria ou continência com ele, como usar o nome do compositor para indicar sua obra.

Litote é o mesmo que eufemismo?

Não. A litote atenua uma ideia negando o seu contrário (“não é feio”), enquanto o eufemismo atenua substituindo a expressão direta por outra mais branda, sem usar negação (“entregou a alma a Deus”).

Como saber se uma frase tem prosopopeia?

Verifique se um elemento sem vida ou sem consciência — objeto, natureza, animal, ideia abstrata — recebe uma ação, fala ou sentimento tipicamente humano. Se sim, há prosopopeia (também chamada de personificação).

Por que a catacrese costuma confundir?

Porque ela nasce de um uso já consolidado pela língua, não de uma escolha estilística consciente do autor. “Embarcar no trem” soa natural justamente porque a catacrese preencheu uma lacuna vocabular ao longo do tempo, sem que o falante perceba que está usando uma figura.

A ironia sempre depende de tom de voz ou pode ser identificada só pelo texto escrito?

Em texto escrito, a ironia se identifica pelo contraste entre o que a frase diz literalmente e o contexto que a envolve — como elogiar algo claramente ruim. O leitor precisa comparar a afirmação com a situação descrita para perceber a inversão de sentido.

Vale a pena memorizar exemplos prontos de cada figura?

Memorizar um exemplo ajuda a reconhecer o padrão, mas o mais importante é entender o mecanismo — substituição, negação, exagero, contraste ou atribuição humana — porque as provas costumam trocar o exemplo, não o mecanismo.

As questões deste artigo são idênticas às de Enem ou vestibulares específicos?

Não. Várias foram adaptadas a partir de materiais de revisão que mencionam origem em vestibulares, mas sem confirmação de fonte primária; outras foram criadas para fins de estudo. Nenhuma deve ser tratada como reprodução literal de prova oficial.

Qual erro mais comum ao resolver exercícios desse tipo?

Confundir figuras que compartilham o mesmo “efeito superficial” — como achar que todo exagero é hipérbole quando pode ser ironia, ou que toda substituição de palavra é metáfora quando pode ser metonímia ou catacrese. Ler o mecanismo da frase, não só o efeito, evita esse erro.

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