A indecisão na hora de escolher o curso superior

não é sinônimo de crise. Mas de reflexão e amadurecimento. É hora de

parar e pensar: Qual é o meu projeto de vida? Por que ingressar na

faculdade? O que significa fazer um curso superior? Questões como essas

nem sempre são respondidas antes do vestibular. E o resultado é o

desânimo, a troca de curso, a evasão.

Boa parte dos vestibulandos começa a escolha mais importante da

vida por uma lista de cursos oferecidos. A prática é considerada

perigosa, uma vez que para cada atividade, sempre haverá mais de uma

opção de formação.

- A escolha do nome do curso não é importante na primeira

etapa. O estudante precisa mudar o foco e buscar um projeto de vida,

livrando-se de preconceitos, de estereótipos e da hierarquia das

profissões - diz Maria Célia Lassance, psicóloga da Universidade

Federal do Rio Grande do Sul, que coordena o Serviço de Orientação da

universidade.

O número de acadêmicos que troca de curso ou abandona os

estudos por desânimo cresce em todas as universidades. E, para ajudar

os estudantes, a maioria delas mantém serviços especializados. Para o

psicólogo Armando Marocco, que atua na Universidade do Vale do Rio dos

Sinos (Unisinos), a dificuldade na escolha passa pela falta de

confiança dos estudantes.

- Nas entrevistas e nos testes que realizamos, procuramos

desenvolver a coragem e a capacidade de olhar para si mesmo, mostrando

qualidades do estudante e gostos pessoais. O jovem é influenciado pela

família, pela sociedade, pelos meios de comunicação e perde a

capacidade de olhar para si mesmo - diz.

Na Ulbra, a orientação profissional para os vestibulandos é

realizada por meio de palestras em escolas, feira de profissões e

encontros na universidade. O autoconhecimento está na base da

orientação, que prevê dinâmicas de grupo e atendimento individual. Mas

o programa avança para o interior das faculdades.

- A visita orientada mostra a realidade do curso, que é a

primeira etapa da carreira. Os estudantes podem conversar com

professores, alunos e técnicos de laboratórios - diz a coordenadora do

serviço e orientadora educacional da Ulbra, Lauraci Dondé da Silva.

Confira alguns inimigos que rondam os vestibulandos na hora da escolha do curso

Habilidades específicas

Escolher Jornalismo só porque gosta de escrever, Arquitetura porque

gosta de desenhar, Turismo porque gosta de viajar, entre outras.

Matérias escolares

Optar por cursos cujas disciplinas teve bom desempenho no colégio como física, química, matemática ou geografia.

Contato com o objeto

Ingressar na Veterinária ou Agronomia por ter sítio ou fazenda,

Biologia ou Oceanologia por que gosta da praia, de fazer surfe ou

mergulhar, Biblioteconomia por gostar de livros.

Status social

Escolher levando em conta apenas o estereótipo de profissionais como o médico e o advogado.

Facilidade no mercado

Fazer a escolha por uma prática geral, com a certeza de um amplo mercado como Administração, Ciências Contábeis e Computação.

Desenvolvimento pessoal

Opção em busca de autoconhecimento e desenvolvimento de formas de

expressão, sem preocupação com o trabalho. Os exemplos mais comuns são

Psicologia e Artes Plásticas.

QUEM EU SOU?

O acomodado

Quer seguir uma profissão conhecida, de preferência exercida por

parentes e amigos próximos. Como não se identifica com nenhuma delas,

permanece em dúvida. Tem dificuldade em abrir a cabeça e descobrir o

novo.

O fiel

Escolheu a profissão desde menino. Sempre foi o médico ou o

veterinário da família. No momento do vestibular, não se sente mais

atraído pela profissão, mas tem dificuldade para abandonar a escolha.

O iludido

Quer saber o que os colegas escolheram e por quê. Pergunta para

todos os colegas o que eles escolheram para tentar encontrar critérios

que possam ser usados. Ao conhecer as opções dos outros, tem a ilusão

de estar escolhendo o curso.

O decidido

Está disposto a buscar autoconhecimento e mais informações sobre o mercado de trabalho antes da inscrição no vestibular.

Carreira à vista

- A escolha do curso não pode ser encarada como um fim, mas como um dos meios para alcançar a profissão e a carreira desejada.

- Faça um levantamento das atividades que você deseja realizar

profissionalmente e verifique quais são as profissões que permitem o

exercício dessas atividades (muitas delas podem ser realizadas por

profissionais com diferentes formações).

- Conheça os currículos. Eles podem fornecer uma boa idéia do tipo de preparação que o curso oferece.

- Converse com profissionais. Pergunte por atividades que sejam bem

diferentes das tradicionais. Você pode se surpreender com a diversidade

possível no novo mercado.

- Lembre-se: nenhum curso dá conta de ensinar todas as práticas

possíveis em uma profissão. O novo mercado de trabalho tem uma

característica que favorece profissionais de diferentes formações

realizarem tarefas muito semelhantes, além da necessidade de trabalhar

em equipe.

- Saiba qual a titulação que o curso lhe confere. Existem

modalidades diferentes de graduação, como licenciatura, bacharelado e

tecnológico, que ampliam ou restringem a atuação profissional ou

acadêmica.

- Visite os campi das instituições para as quais você deseja prestar vestibular.

Lembre-se

de que você irá passar anos estudando lá. Veja se o ambiente, a

localização e as instalações estão de acordo com suas expectativas.