Quem tem um adolescente em casa sabe, sente na pele, a pressão e a ansiedade do momento da primeira escolha profissional. Nas famílias com condições financeiras de sustentar o ingresso do jovem à universidade, o privilégio de escolher uma profissão normalmente ocorre ao final do ensino médio, às vésperas do vestibular.

Esse momento é inegavelmente tenso. Se você pai, mãe ou responsável de alguma forma por “uma criança que tem que tomar uma decisão tão importante, tão cedo” estão preocupados, estejam atentos. Realmente, a situação é, no mínimo, desconfortável. Isso porque o processo de decisão profissional não é exclusivamente do adolescente. Ao contrário, afeta todos ao redor.

Desafia cada membro da família a pensar alternativas, buscar seus próprios sonhos, tentar resgatar aquele desejo de realizar algo que não foi possível até então. Desde o clássico exemplo de pais sedentos por realizar seus anseios através do filho até o envolvimento de avós, tios, irmãos, primos e amigos de convivência próxima à família.

O jovem é visto como um papel em branco, pronto para receber qualquer história, seja para salvar aquele projeto que não teve sua chance no passado como para confirmar as próprias escolhas realizadas, devendo portanto, ser repetidas. A primeira escolha simboliza a etapa inicial, o grande marco de transformação rumo à vida adulta.

Diante da escolha profissional, a “ex-criança” dá um passo marcante para sua própria independência. O jovem passa a ser bombardeado de sugestões, dicas, cobranças, informações contaminadas tanto de esperanças, como de perspectiva negativa, pessimista.

O tom do conselho vai depender da dor ou alegria da experiência do conselheiro. Entretanto, existe um ponto em comum: o objetivo velado, por melhor que seja a intenção, é similar: controlar, guiar, direcionar.

O risco do jovem ser direcionado é decidir a partir de expectativas de outras pessoas e não de seus próprios anseios. Por conseqüência, abre-se espaço à frustração, uma vez que as necessidades pessoais não foram consideradas. As evidências de interferência ou influência na decisão profissional, não aparecem apenas quando da obediência às idéias sugeridas.

Também ocorre quando observam-se reações de rebeldia, revolta ou rivalidade. Nesse último caso, o jovem ocupa-se em contrapor as influências do meio e afasta-se da busca pela própria realização. Para os pais, o alerta deve ser claro no sentido de estar atento às próprias intenções. Para isso, devem perguntar a si mesmos, honestamente: “Por que desejo sugerir esse caminho?”

As respostas são muitas vezes reveladoras e fonte inesgotável de auto-conhecimento. Isso vale para todos que participam do processo de escolha. Aos jovens sob pressão, é importante lembrar que receber informações que possam ser utilizadas em nossas decisões é válido e importante. Afinal, uma vez que caminhos já foram trilhados, por que não considerar e aprender com essas experiências?

Todas as informações são preciosas quando, ao invés de conduzir a uma conclusão, acrescentam mais aspectos a serem analisados no amadurecimento da escolha. A melhor saída não está em abandonar o jovem à deriva com suas dúvidas, nem tão pouco apontar respostas imediatas às incertezas.

O caminho consiste em ensiná-lo a procurar alternativas próprias, fortalecê-lo e, principalmente, fortalecer a si mesmo para tolerar o vazio e a insegurança que o medo perante o futuro suscita. Afinal, não existem decisões certas ou erradas, mas caminhos que vão sendo construídos ao longo da trajetória.